Category Archives: Brasil

Uma ponte entre a Holanda e o Brasil

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Vestindo camisa social e calças pretas o cantor e compositor brasileiro Lenine entra no palco já cantando. Num instante, a voz calorosa do pernambucano transporta a antiga sala de cinema da fria e chuvosa Rotterdam para o ensolarado Recife. O público, até então calado e comportado em suas poltronas, grita, bate palmas, assobia.  A formalidade holandesa dá espaço à espontaneidade brasileira.

Da minha poltrona eu aplaudo o mesmo homem que duas horas antes ensinava os músicos holandeses, noruegueses, dinamarqueses e alemães da orquestra do holandês Martin Fondse a pronunciar as palavras “dólares” e “Dolores”, da música Rosebud. O mesmo cantor que, vestindo jeans, óculos e all-star pretos, vibrava ao ouvir cada arranjo novo que a orquestra internacional tinha criado especialmente para as suas músicas. O mesmo simpático pernambucano que no primeiro intervalo da passagem de som desceu do palco pra nos dar um abraço de boas vindas e saber se estávamos nos divertindo.

Testemunhar o projeto “The Bridge” tomando forma durante a passagem de som e assistir ao primeiro show do Lenine com o Martin Fondse e sua orquestra foi uma experiência indescritível. Minha admiração pelo trabalho do artista pernambucano, que completa 30 anos de carreira esse ano, só aumentou. Sua paixão pela música, o sentimento que ele imprime em cada nota e o alto-astral que ele transmite são emocionantes.

Quanto ao trabalho do Martin Fondse, foi paixão à primeira vista. Músico e maestro talentosíssimo, além de muito simpático  e atencioso. Um “querido” mesmo!

E a tarde e noite da última sexta-feira foram assim: cheias de novas experiências e energia positiva. Uma delícia!

Roteiro apertado

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Estamos indo pro Brasil por 3 semanas. Parece bastante, mas com Natal e Ano Novo no meio o roteiro ficou bem apertado.

Chegamos no dia 15 de manhã. No dia 16 já vai rolar um churrasco com meus amigos mais próximos, os dos tempos da faculdade. Na quarta, 19, embarcamos cedinho pra Foz do Iguaçu e voltamos só no sábado à tarde. Na segunda-feira já é véspera de Natal. Na sexta, dia 28, vamos pra praia com meus pais e meus irmãos. Voltamos só no dia 2. E aí no dia 6 embarcamos de volta pra Holanda. Nos dias que restam tenho que: renovar minha carteira de motorista, regularizar minha situação no cartório eleitoral, pegar um documento no cartório e fazer comprinhas de coisas que quero trazer do Brasil (livros, uns remédios, etc).

Eu poderia ter riscado os dias em Foz da agenda, mas esse é um lugar que o Holandês quer conhecer há anos e achei justo incluir na lista, já que ele vai passar todo o resto do tempo com pessoas que ele não conhece, escutando uma língua que ele não fala, além de me servir de motorista pra ir aos lugares que preciso enquanto não consigo renovar minha carteira de motorista.

Por tudo isso, não vou conseguir ver nem a metade dos amigos que queria ver nas férias… ô tristeza.

Dividida entre três países

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Estou em Bonn, Alemanha. Meu coração está em Brielle, na Holanda, e meu pensamento em Sorocaba, Brasil.

Hoje escrevi um e-mail pra secretaria do mestrado avisando que estarei no Brasil nas férias de fim de ano (bolsistas precisam avisar quando não estarão no país). Escrevi primeiro que iria “pra casa” no Natal. Apaguei. Escrevi que iria pra “casa dos meus pais” no Natal. Apaguei. Decidi só escrever que estou indo para o Brasil. Ponto.

Toda vez que vou a uma loja de decoração, compro alguma coisinha para a “casa” da Holanda. Notei que nunca mais comprei nada pra minha “casa” em Bonn e que ando passando tão pouco tempo aqui que fui protelando a limpeza e organização das coisas, até que virou um caos e eu tive que limpar e organizar pra conseguir passar o fim de semana aqui.

Meus “pertences” já estão divididos entre o Brasil, a Alemanha e a Holanda. Tenho escova de dentes e roupa nas três casas. Claro que no Brasil e na Holanda em quantidades menores.

Minhas roupas passam quase mais tempo em malas do que no guarda-roupa. Já perdi a conta da quantidade de horas que passo em trens durante o mês.

Como faz quando a gente não sabe mais onde é a “casa” da gente?

“Imagina na Copa”

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Sensacional essa iniciativa.

Imagina na Copa – um projeto que mostrará o lado bom do Brasil e do brasileiro

“A intenção da iniciativa é alavancar projetos, que já existem ou ainda estão no papel, para mudar a vida das pessoas e das cidades para melhor! Iniciativas de todos os tamanhos. De jovens que estão ajudando a galera a usar a bike para se movimentar de forma segura pela cidade ao pessoal que se mobilizou para ensinar uma língua estrangeira para crianças em comunidades carentes”. (Fonte: Imagina na Copa)

Vale muuuuuuito a pena checar e compartilhar! Eu apoio!!

Um panorama sobre o governo Dilma

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Não, eu não vim aqui pra analisar o governo Dilma. Nem seria capaz.

Mas li uma reportagem em português e uma em inglês que dão um panorama bacana e mostram claramente como a Dilma está se diferenciando dos governos Lula e FHC e criando um governo com características próprias.

Achei que valia compartilhar, afinal, é importante estar a par do que está acontecendo do lado de lá.

Já estou há mais de um ano na Alemanha e ainda tenho dificuldades em dar prioridades às informações que consumo diariamente. Não sei se devo dedicar mais tempo lendo as notícias dos jornais brasileiros, dos jornais alemães ou as notícias internacionais.

No final sempre tento fazer um pouquinho de tudo, mas confesso que não tenho lido as notícias alemãs há algum tempo. Sei que deveria, mas não dou conta. São enxurradas de informação vindo de todos os lados. Não dou conta de filtrar tudo. É a tal discussão sobre sobrecarga de informação na era internet… que seria tema pra outro post.

O resultado é que acabo me concentrando mais nas notícias internacionais e nas notícias do Brasil.

Ah é, mas eu comecei a escrever esse post pra recomendar a leitura, não é mesmo? Então aqui vão os links:

Política econômica do governo Dilma se cristaliza em 2012 – http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1157878-politica-economica-do-governo-dilma-se-cristaliza-em-2012.shtml

Brasil’s Dilma Rousseff steers a steady course – http://www.bbc.co.uk/news/world-radio-and-tv-19640346

É tempo de agradecer…

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Um Natal iluminado a toda a minha família,  meus amigos queridos e a você que acompanha o blog!

Liberdade “pra inglês ver”

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Essa semana precisei fazer uma pesquisa sobre o cenário da mídia brasileira e fiquei chocada com os dados que encontrei.

No ranking de Liberdade de Imprensa da ONG Repórteres sem Fronteiras, o Brasil aparece somente na 58ª posição.  A imprensa que eu sempre acreditei ser razoavelmente “livre” sofre mais censura que os meios de comunicação de países como Chile (33º), Uruguai (37º), África do Sul (38º), Tanzânia (41º), Coreia do Sul (42º) e Argentina (55º). Indignada, fui tentar entender o por quê dessa vergonhosa colocação.

Eu já sabia que a corrupção no Brasil era muita e, claro, sabia também que muitas concessões de meios de comunicação, principalmente de rádio, eram dadas a políticos (!!!!!), mas nunca tinha me deparado com os números oficiais. De acordo com dados do site “Donos da Mídia” (que reúne dados públicos), 271 políticos são sócios ou diretores de 324 veículos de comunicação do País. Mais da metade deles são prefeitos.

Além disso, a Globo, sozinha, é dona de 33 jornais, 52 rádios AM, 76 FMs, 105 emissoras de TV, 27 revistas, 17 canais e 9 operadoras de TV paga. Isso é mais do que a Record e a Band têm juntas. Diversidade de opinião? Pra quê? Bobagem! A mídia de todo o país está nas mãos de 5 grandes grupos de comunicação: Abril, Globo, Band, Gov.BR (ligado à EBC) e IURD (ligado à Record). Mídia independente? Nenhuma chance.

Confesso que nunca fui muito politizada, nem ativista, mas fiquei revoltada quando me dei conta de que liberdade de imprensa no Brasil é só “pra inglês ver”.