Monthly Archives: Março 2013

Quanto custa viver na Alemanha? Parte 2

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Reparei que muita gente vem parar aqui no blog tentando descobrir quanto custa viver na Alemanha. Decidi então que era hora de compartilhar mais alguns preços, assim vocês podem ter uma ideia de quanto custa viver por aqui.

Eu, particularmente, acho o custo de vida aqui muito mais baixo do que no Brasil. Com os 750 euros que eu recebo por mês de bolsa de estudos consigo pagar meu aluguel, meu seguro saúde, comer, sair com os amigos prum café, cinema ou um barzinho de vez em quando, comprar uma peça ou outra de roupa e viajar pra Holanda todo mês (comprando a passagem com antecedência).

Claro que nem sempre foi assim. No começo eu comia todo dia no restaurante da Deutsche Welle (cerca de 4 euros por dia só pra almoçar), tomava café e comia bolo em bistrôs no centro da cidade com frequência e sempre que via uma promoção queria comprar. Além disso,  eu precisei comprar roupa de cama, louça, roupas de inverno e coisinhas pra casa nos primeiros meses.  Então todo mês gastava todo o dinheiro da bolsa e ainda precisava usar um pouco do dinheiro que tinha trazido do Brasil pra viagens e emergências. Levei um tempo até me acostumar com a falta de cheque especial e cartão de crédito e entender que eu tinha que viver com esses 750 euros por mês.

Comecei a cozinhar em casa, parei de passear tanto pelas lojas do centro e comecei a reservar o prazer de tomar um cappuccino acompanhado de um bolo num local bacana pros finais de semana. Também comecei a dar aulas de português em Colônia uma vez por mês pra bancar minhas viagens e gastos extras. Claro que sempre tenho que controlar os gastos, mas hoje os 750 euros são suficientes pra levar uma vida de estudante simples.

Todos os valores abaixo são os preços praticados na cidade de Bonn, uma cidade de 300 mil habitantes no estado de Nordrhein-Westfallen, onde vivo.

1. Aluguel: eu moro numa residência estudantil. Tenho uma mini-cozinha e um banheiro. Pago 248 euros por mês. Uma amiga aluga um quarto na casa de um casal. No quarto dela tem uma cozinha meio improvisada e ela tem um banheiro só pra ela no andar de baixo. Ela paga 345 euros por mês. Um amigo mora com a namorada num lugar ótimo e tranquilo ao lado do Beethovenhalle (casa de concertos) perto do centro de Bonn e perto do rio Reno, num apartamento com 2 quartos, sala, cozinha e banheiro. Eles pagam 800 euros de aluguel por mês, já com aquecedor, água e eletricidade.

2. Seguro saúde: como sou estudante, pago cerca de 80 euros por mês. Quando eu terminar o mestrado, o valor dobra.

3. Transporte: eu pago 230 euros por semestre pra faculdade pra cobrir taxas administrativas e transporte. Recebo então um selo no meu cartão da faculdade com o qual posso usar qualquer tipo de transporte em Bonn e viajar pelo estado de Nordrhein-Westfallen inteiro com os trens comuns (RB e RE) sem pagar nada extra. Depois das 19h durante a semana e o dia todo nos finais de semana, posso levar mais uma pessoa com o meu cartão. Mas isso só porque eu sou estudante. Cada passagem de ônibus, bondinho e metrô em Bonn custa 2,70 euros. Há opções de tickets diários (7,80 euros), semanais (22,40 euros) e mensais (84,30 euros) também, que aliviam um pouco os custos.

4. Cinema: uma entrada inteira custa cerca de 8 euros  e estudantes pagam entre 6 e 6,50 euros (preços válidos para Bonn).

5. Academia: em uma das academias da rede McFit, a mensalidade custa 19,90 euros. Um curso de Zumba num estúdio de dança custa 25 euros, com direito a uma aula por semana.

6. Gastronomia: eu e meu namorado gostamos de comer num WOK (comida asiática) no centro que prepara tudo fresquinho na hora e é barato. Pagamos sempre uns 12 euros por duas refeições e suco. Um lanche no Subway custa em média 3 euros (sem os adicionais). Um menu no McDonalds custa por volta de 6 euros (eu não sei o preço exato, porque como lá uma vez por ano só). A maioria dos pratos em um restaurante normal custa em  torno de 10 euros (arredondando um pouco pra cima e pra baixo um pouco). Um refrigerante custa entre 2 e 3 euros e um suco de laranja ou maçã (os tradicionais por aqui) uns 3 euros, dependendo do lugar. Na cantina da Deutsche Welle eu costumo pagar 0,90 centavos de euro por um café ou cappuccino. No centro, pago 1,90 euros pela mesma bebida  na padaria e quase 4 euros num café bacana e aconchegante. Tudo depende do ambiente. Tem opção pra todos os bolsos.

7. Cursos de idiomas: por 4 meses de curso de holandês paguei 70 euros no ano passado. Fiz na Volkshochschule (universidade popular) e o curso não era dos melhores. Mas bem, o curso todo me custou só 70 euros. Então tá valendo.

Postarei mais pra frente preços de alimentos, roupas e afins, ok? Mas acho que os 7 itens acima já dão uma ideia do quanto custa a vida por aqui.

Pra ler a parte 1 da série, clique aqui.

Burocracia holandesa

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Então que decidi encarar o processo de “imigração” pra Holanda, ciente de toda a dor de cabeça que eu sei que isso vai me trazer. Pra quê facilitar se a gente pode complicar mais um pouquinho, né?

A lista de documentos para dar entrada no visto de permanência é gigante e todo o processo todo é de acabar com os nervos e o bolso de qualquer um. mapa holanda

Dê só uma olhada:

– passaporte válido

– 2 fotografias 3×4

– dois formulários padrões do visto preenchidos

– segunda via da certidão de nascimento legalizada e traduzida

– declaração de solteiro legalizada

– aprovação no exame básico de integração civil

– cópia das páginas usadas do passaporte do parceiro

– contrato de trabalho do parceiro válido por pelo menos mais um ano

– extrato da conta do parceiro dos últimos não-sei-quantos-meses

Tirei a segunda via da minha certidão de nascimento quando estive no Brasil. Só ela custou 48 reais. Antes de ser traduzida, a certidão tem que ser legalizada (receber um carimbo especial) no Ministério das Relações Exteriores brasileiro e depois no Consulado Holandês no Brasil. Não adiantou eu escrever explicando que moro na Alemanha e mimimi. Tive que pagar um despachante pra fazer isso pra mim. Entre a taxa cobrada pelo Consulado (o Ministério carimba gratuitamente), o serviço do despachante e o correio do Brasil pra Alemanha lá se foram outros 300 reais. Fora os 30 reais de Sedex que a minha pagou pra mandar a certidão de Sorocaba pra despachante em Brasília.

Quando esse documento chegar aqui, ele precisa ser traduzido por um tradutor juramentado. Lá se vão mais 50, dessa vez, euros.

Depois de tudo isso, posso “ticar” a certidão de nascimento da lista.

Preciso de uma declaração que afirme que eu não sou casada no Brasil ou em lugar algum. Ia fazer isso no Brasil mas o cartório queria quase 300 reais para me dar o papel. Desisti. Devia ter feito lá, porque o preço aqui vai dar quase na mesma (convertido) e o processo vai ser mais trabalhoso.

bandeiraVou fazer essa declaração pelo Consulado Brasileiro em Frankfurt, que já a emitirá em alemão (língua aceita pelo departamento de imigração da Holanda), dispensando mais uma tradução juramentada. Como preciso de duas testemunhas e Frankfurt não é, por assim dizer, logo ali na esquina, vou fazer o processo pelo correio. Para tanto, preciso preencher um formulário e assiná-lo perante um tabelião registrado no Consulado Brasileiro. Para a declaração, preciso de duas testemunhas, que também terão que assinar o tal formulário perante o tabelião. E lá se vão mais 15 euros.

O consulado cobra 17 euros para autenticar cada uma das assinaturas já reconhecidas pelo tabelião. Mais 51 euros. Pela emissão da declaração, eles cobram outros 12,75 euros. E no envelope eu preciso enviar outro envelope selado com 3,50 euros.

Tá fazendo as contas?  Até aí eu “tiquei” dois itens (e só dois!!!) da lista de documentos e já se foram por volta de 270 euros.

O tal exame básico de integração civil custa outros 350 euros e só pode ser feito no país de origem ou país de residência da pessoa, no meu caso, na Alemanha. O Consulado do Reino dos Países Baixos em Düsseldorf não aplica mais a prova, o que quer dizer que eu terei que gastar mais de 100 euros em passagens pra ir fazer o teste em Berlim. Fora os 110 euros do material preparatório pra prova.

Com tudo em mãos, tenho que correr pra dar entrada no visto, já que a certidão de nascimento e a declaração de solteiro só têm validade de 6 meses a partir da data de expedição.

A boa notícia é que a taxa do visto que, até janeiro desse ano custava 1.250 euros (exatamente mil duzentos e cinquenta euros), baixou para 225 euros como num passe de mágica (o governo descobriu que o preço praticado era ilegal). Então nós não vamos à falência. Só quase. holanda

E tudo isso só dará certo se a lei nova retroceder mesmo em abril, assim como anunciado pelo governo. Desde outubro do ano passado só cônjuges são elegíveis ao visto de união familiar, o que quer dizer que eu só poderia aplicar para o visto se nos casássemos ou se tivéssemos a intenção de nos casar logo que eu entrasse no país. Mas a promessa é de que em abril essa lei retroceda e namorados possam dar entrada no visto para viver com o parceiro sem a necessidade de estarem casados, assim como na antiga lei.

A parte da certidão de nascimento já me deu muita dor de cabeça. Então, pelo bem da minha saúde mental, vamos torcer pra lei retroceder conforme o prometido e para que eu consiga os outros itens da lista sem muitos problemas. Por olha, pra ser sincera, eu não sei se aguento escrever minha tese de mestrado, estudar holandês e mexer com a papelada do visto tudo ao mesmo tempo, sem enlouquecer.

Vou de táxi…

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taxi mercedesVocê sabia que a maioria dos táxis alemães são Mercedes? Sim, Mercedes e com banco de couro.

E sabe por quê? Porque a Mercedes oferece 14% de desconto sobre o preço do veículo se ele for ser usado como táxi por pelo menos 1 ano. Além disso, a empresa produz modelos especiais para serem usados como táxi, com motores e estruturas mais resistentes e assentos mais confortáveis taxistas e passageiros.

Aqui em Bonn a tarifa básica é a mesma durante o dia e a noite (2,50 euros), com um acréscimo de 1,50 euros por km percorrido, se o percurso for maior do que 1 km.

Eu não costumo pegar muito táxi por aqui, porque a cidade é pequena e tem uma ótima infraestrutura (ônibus, metrô e bondinho de rua), mas quando preciso, não penso duas vezes. É confortável e o preço é razoável.

Pra quem fala alemão, nesse link há uma lista com tarifas de outros estados e cidades.

“Googando”

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No WordPress é possível saber como as pessoas chegaram ao seu blog. Às vezes elas vêm através da indicação de outro blog, outras por alguma busca no Google.

Muita gente chega ao meu blog ao pesquisar o termo “custo de vida na Alemanha”, por causa desse post aqui.

Mas há também outros (e não são poucos) que chegam aqui ao “googar” termos como “lingerie para mulheres fofinhas” ou “mulheres fofinhas de espartilhos”. É que uma vez escrevi um post sobre o “Grandes Mulheres”, o blog de uma amiga minha.

Mas hoje um dos termos de buscas me surpreendeu. Alguém chegou por aqui ontem porque jogou o termo “mulheres fofinhas no banho” no google.

Surpreendente o tipo de coisa que as pessoas “googam” por aí, não?

De qualquer forma, que bom que de uma forma ou de outra, elas sempre dão uma passadinha por aqui!