Monthly Archives: Dezembro 2012

“Sich entschuldigen”

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Se tem uma coisa que eu acho bizarra no sistema de ensino alemão é a prática de pedir desculpas/se justificar/se explicar antes de faltar a uma aula ou seminário. Em alemão, sich entschuldigen.

No Brasil eu conhecia a prática do “atestado médico”, que o aluno levava para justificar uma falta APÓS já ter faltado e só se tivesse ido ao médico mesmo.

Por aqui, se você sabe que vai faltar à aula, digamos na quarta-feira, porque tem médico, tem que trabalhar, tem uma entrevista, tá doente em casa ou sei lá o que, a norma manda que você escreva para o professor ou para o secretariado do curso avisando que vai faltar e explicando o o motivo. E eu não estou falando de jardim de infância, estou falando de qualquer curso, inclusive no mestrado. E olha que a média de idade da minha sala é 28 anos!

Quando o professor faz a lista de chamada e o tal aluno não está, ele mesmo já fala “er/sie hat sich entschuldigt” (ele/ela já se justificou, explicou, pediu desculpas). Nunca entendi que diferença isso faz, quero dizer, se a falta deixa de entrar pra cota de faltas permitidas ou se é só uma questão de respeito e educação.

O negócio chega a ser tão sério que quando você acorda mal e não consegue ir à aula você geralmente manda um SMS prum colega de classe e pede pra ele “se desculpar/se justificar” por você para o professor. Eu acho meio bizarro, mas, por via das dúvidas, sempre aviso. Semana retrasada mesmo escrevi pra uma amiga às 7h30 da manhã dizendo que estava mal e não ia à aula. Ela justificou minha falta e pegou todos os hand-outs da aula pra mim.

O mesmo vale se você precisa sair da aula mais cedo. Você vai até o professor antes de a aula começar e explica que precisa sair mais cedo. Outro dia um colega de classe “pegou seu banquinho e foi se retirando de mansinho” 20 minutos antes do final da aula. A professora parou a aula e perguntou aonde ele estava indo, assim, em alto e bom som, na frente de 29 alunos. Juro-te!!! O colega disse que tinha que ir trabalhar, mas, veja bem, não tinha avisado antes. A professora respondeu com olhar fulminante: achei que nesses casos ainda era a norma avisar o docente antes. Juro que tive vontade de perguntar se de repente, só de repente, havíamos voltado pro jardim de infância. Vai saber, né?

Ontem na aula de holandês a professora notou a falta de uma aluna e disse “e ela nem se desculpou. Que estranho.”

Bizarro, né não?

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Vai encarar?

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Um pirulito de nabo pra quem conseguir pronunciar corretamente a seguinte frase em holandês, com todos os “gs” raspando na garganta:

“Ik heb het gisteren wel heel erg druk gehad op mijn werk”. (Ontem eu tive muito estresse/pressão no meu trabalho)

E aí? Vai encarar?

Nessas horas eu penso:

1) Por que foi que eu inventei de me apaixonar por um holandês?

2) Por que foi que eu me propus a aprender essa língua maldita?

3) Nunca vou aprender essa língua.

4) Todas as opções acima.

Roteiro apertado

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Estamos indo pro Brasil por 3 semanas. Parece bastante, mas com Natal e Ano Novo no meio o roteiro ficou bem apertado.

Chegamos no dia 15 de manhã. No dia 16 já vai rolar um churrasco com meus amigos mais próximos, os dos tempos da faculdade. Na quarta, 19, embarcamos cedinho pra Foz do Iguaçu e voltamos só no sábado à tarde. Na segunda-feira já é véspera de Natal. Na sexta, dia 28, vamos pra praia com meus pais e meus irmãos. Voltamos só no dia 2. E aí no dia 6 embarcamos de volta pra Holanda. Nos dias que restam tenho que: renovar minha carteira de motorista, regularizar minha situação no cartório eleitoral, pegar um documento no cartório e fazer comprinhas de coisas que quero trazer do Brasil (livros, uns remédios, etc).

Eu poderia ter riscado os dias em Foz da agenda, mas esse é um lugar que o Holandês quer conhecer há anos e achei justo incluir na lista, já que ele vai passar todo o resto do tempo com pessoas que ele não conhece, escutando uma língua que ele não fala, além de me servir de motorista pra ir aos lugares que preciso enquanto não consigo renovar minha carteira de motorista.

Por tudo isso, não vou conseguir ver nem a metade dos amigos que queria ver nas férias… ô tristeza.

Chá de sumiço

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Faz mais de um mês que eu não apareço por aqui, eu sei.

Minhas desculpas são as mesmas de sempre: projetos, aulas, viagens pra Holanda, congressos e afins. Além disso, embarco para o Brasil em 10 dias, então o último mês foi também de correria pra comprar presentinhos pra minha família, pros nossos amigos secretos (meu e do “Holandês”) e agilizar projetos que tenho que entregar na volta.

Ah, sim, pra ajudar peguei um resfriado há umas 2 semanas que não vai embora nem com reza brava. Comecei com a fase da garganta inflamando, dores no corpo, enjôo e febre e agora estou naquela fase péssima de  tossir até quase colocar os bofes pra fora e nariz machucado de tanto assoar. Deprimente.

Mas enfim… o que importa é que após 1 ano e 4 meses finalmente vou poder abraçar minha família e meus amigos novamente, comer comida da mamãe, conhecer a casa nova dos meus pais, a cachorrinha nova da minha irmã e meu priminho mais novo. Meu coração quase explode de felicidade quando penso em tudo isso. E isso não quer dizer que eu goste mais de lá do que de cá (e nem mais daqui do que de lá, na verdade). Como eu já escrevi aqui antes, eu adoro Bonn e essa minha vida entre a Alemanha e a Holanda, tenho amigos ótimos, um namorado sensacional, enfim, continuo feliz por aqui.  Mas nunca passei mais de 1 ano sem ver minha família e meus amigos e confesso, meu “prazo de validade” já expirou há um tempo.

Acho que no fim estarei sempre meio incompleta: aqui com saudades de tudo o que tenho lá e lá com saudades de tudo o que tenho aqui. Perfeito mesmo seria poder reunir os dois mundos numa panelona só, né não?