Monthly Archives: Março 2012

Globalização

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Cabelo cortado por uma espanhola e sobrancelhas feitas por uma iraniana. Cadê os alemães?

Corte: 17 euros (sem secagem, mas vc pode usar o secador e secar vc mesma)

Sobrancelha: 11 euros

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27!

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Hoje tô completando 27 anos. Estranho pensar que já passei dos 18 faz teeempo e que me aproximo dos 30. Não, não tenho e nunca tive medo de ficar velha. A proximidade dos 30 me encanta, não me apavora.

Mesmo assim, é uma sensação engraçada. Talvez porque sempre achei que aos 27 anos eu estaria em outro lugar, vivendo outras coisas, assumindo outras responsabilidades.

Outro dia me identifiquei com algo que li, por acaso, no blog da ClaBrazil. Ela dizia:

“When you’re 27 life is full of changes, challenges. But somehow it always feels like you’re too young to deal with them all” (Quando você tem 27, a vida é cheia de mudanças, desafios. Mas de alguma maneira a sensação é sempre de que você é muito nova pra lidar com tudo isso).

Fez muito sentido pra mim.

Apesar de todas as mudanças de percurso, eu não poderia estar mais feliz. Sinto que eu estou exatamente onde deveria estar e o universo não poderia ter me dado presente melhor do que esse sentimento.

Agora deixem-me ir porque aniversário não livra ninguém de provas e hoje tenho mais uma. Wish me luck!

O dom de ser chato

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Você vai fazer uma prova oral baseada no seu trabalho de 13 páginas sobre fontes jornalísticas. Dois examinadores. Ambos alemães.

Examinador número 1, com aquele jeito todo acolhedor de avô (sim, ele tem mais de 70) e voz de locutor de rádio pergunta: Frau Silva, me diga quais são as principais fontes de informação para um jornalista.

Ele sorri ao ouvir a resposta que ele queria ouvir. Como um avô, verdadeiramente orgulhoso!

Mais umas perguntas camaradas e ele passa a palavra à próxima examinadora.

Examinadora número 2, cara fechada, tentando me fazer chorar: Frau Silva, falando sobre métodos de pesquisa, o que é uma pesquisa pendular e o que é uma puzzle research (algo como pesquisa quebra-cabeças)?

(Hello? O que isso tem a ver com o meu tema, bitte schön?) Respondo qualquer coisa óbvia sobre a tal puzzle research e torço pra ela esquecer do outro. Ele volta a perguntar. Eu assumo que não sei e ponto. Anotações.

Olho pra cara do examinador número 1, pedindo socorro. Ele sorri. Aquele sorriso encorajador de avô. Volto a olhar pra examinadora número 2 que me pergunta sobre undercover journalism (quando o jornalista usa um disfarce pra tentar conseguir a informação de que precisa) e me pede um exemplo na Alemanha. Só me lembro que o nome do cara era Günter e digo Günter Grass (também alemão, mas escritor, não jornalista – descubro depois). Ela me corrige – Günter Wallraff – e mais anotações.

Mil perguntas cabulosas nada a ver com o meu trabalho depois, saio da sala pra eles discutirem a minha nota.

Examinador número 1 me chama sorridente e me diz: Frau Silva, sua nota (baseada no trabalho e na prova oral) é um 2,0 – ou seja, um bom, acima da média, mas não muito bom (1,7) ou ótimo (1,3 ou 1,0 – nota máxima). Examinadora número 2 me mostra meu trabalho, todo rabiscado em vermelho e me diz:

1) se nenhum dos meus outros títulos tem verbo, a senhora não pode decidir colocar um verbo em um específico (?!!);

2) pra quê itálico no nome do livro na referência bibliográfica?;

3) Se seu trabalho foi escrito em inglês você tem que usar “ibid” e não “ebenda” na nota de rodapé;

4) nesse parágrafo faltou a referência. Ao que respondo: essa é uma frase totalmente minha. Ela argumenta: como assim? Eu respondo: ué, common knowledge, wikipedia é uma enciclopédia escrita coletivamente. Ela contra-argumenta: mas deve ter uma explicação similar em algum livro. Se você não citar a fonte, vai parecer plágio. Eu: :-/ (proibido ter ideias próprias. okay. entendido.)

Elogios ao meu rico trabalhinho? Imagina! Quem sabe numa próxima vida.