Monthly Archives: Junho 2012

Comunicação pra lá de intercultural

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Namorado é holandês, eu brasileira. Como ele não fala português, nem eu holandês, nos comunicamos em inglês.

Eu já estou morando na Alemanha há quase um ano novamente, por isso há várias palavras que eu não me lembro mais (ou nunca aprendi) em inglês, mas sei em alemão porque as ouço e uso com mais frequência aqui. Como namorado entende bastante alemão, eu jogo essas palavras (em alemão) no meio das frases em inglês e ele sempre acaba me entendendo. Ele, por sua vez, diz em holandês o que não sabe ou não se lembra em inglês e, como holandês e alemão são “parecidos”, eu quase sempre consigo fazer alguma correlação e entender o que ele quer dizer. Afinal, o objetivo é nos comunicarmos.

Mas tô tentando aprender um pouco de holandês, então de vez em quando uso uma ou outra coisa que já aprendi quando escrevo.  Daí que a comunicação entre nós dois é uma “mistureba” só, como no e-mail que acabei de mandar pra ele.

Frases que deveriam ser só inglês, viram isso aqui:

Amor, don’t forget to bring the “Fahrradpumpe” (alemão), the Stroopwafel (holandês) and the “Bohrmaschine” (alemão) on Friday. Slaap lekker (holandês). Te amo!

(Tradução: amor, não se esqueça de trazer a bomba de bicicleta, os biscoitos típicos da Holanda e a furadeira na sexta-feira. Durma bem. Te amo.)

Acho que nós dois deveríamos aprender esperanto. Afinal, já estamos no caminho, não?hehe

The muslim version of me…

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Eu em versão muçulmana – Mesquita do Sultão Ahmed, Istambul – Turquia

Ainda vou escrever sobre a viagem pra Istambul, agora me me sinto um pouco mais organizada por dentro e aos poucos volto a escrever.

Por enquanto, fiquem com uma foto da visita à Mesquita do Sultão Ahmed, ou Mesquita Azul.

Ótimo domingo!

P.S.:  Só uma curiosidade: esse carpete tinha um cheiro de chulé fortíssimo, já que é proibido entrar de sapatos na mesquita e, por essa ser essencialmente turística, ninguém lava os pés ao tirar os sapatos, como nas mesquitas regulares.

A primeira visita a uma ginecologista alemã

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Um pequenino problema feminino me levou a superar mais um dos meus medos e marcar uma consulta numa ginecologista alemã. Trouxe do Brasil 12 caixas do anticoncepcional que tomo, fiz uma amiga trazer mais 2 e minha mãe me mandar mais 3 quando decidi que ficaria um ano e meio sem voltar pra casa. Tudo pra evitar essa bendita consulta. Mas não deu. Aqui não dá pra comprar quase nada na farmácia sem receita, nem aquelas soluções pra “banhos de assento” que a gente conhece no Brasil (embora existam aqui).

Após 2 dias ao telefone finalmente consegui um encaixe com uma médica da qual eu não tinha a menor referência. Liguei pra umas 10 médicas que achei no google (com boas indicações), mas ou elas não aceitavam pacientes novas, ou só aceitam grávidas (oi?) ou só tinham consulta pra agosto. Qual parte da frase “é uma emergência” elas não entendiam?

Whatever… pesquisei na internet todos os termos que precisava dizer em alemão pra médica e fui (eu tenho ovário micropolicístico, tive uma cervicite ano passado, enfim… tinha que contar todo o histórico pra nova médica).

Apesar da dificuldade em conseguir uma consulta e o chá de cadeira na sala de espera (igualzinho ao Brasil), achei as coisas aqui um pouco mais práticas. A médica te examina, já colhe os exames todos no próprio consultório, examina o que colheu num microscópio na hora, te diz qual é o problema e te dá uma receita. O resto da amostra ela manda pro laboratório e, caso exista algo de anormal, eles entram em contato avisando. Nada de guias pra exames e retorno. Simples assim.

Gostei e já abortei a ideia de trazer mais uma leva de anticoncepcionais do Brasil quando for pra lá em dezembro. Antes do meu estoque acabar, marco uma consulta, pego uma receita e compro aqui. É mais prático e mais barato. Viva a praticidade!

Vocabulário útil:

Frauenarzt – ginecologista

Gebärmutter – útero

Gebärmutterhals – colo do útero

Polyzystisches Ovarialsyndrom – síndrome do ovário policístico

Eierstöcken – ovários

Eileiter – trompa

Vagina / Scheide – vagina

O que eu tenho feito aqui em Bonn?

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Pra quebrar um pouco o silêncio, achei que poderia compartilhar com vocês o que tenho “aprontado” no mestrado nos últimos meses. Assim vocês têm uma ideia do tipo de projeto que nós desenvolvemos por aqui quando temos uma folguinha das aulas teóricas – as quais eu continuo preferindo.

Pros falantes de inglês, um post que escrevi pro blog do mestrado: Life on two wheels 

Pros falantes de alemão, uma matéria que fizemos durante a semana de treinamento em rádio: KultOhr. Além de um blog e um slideshow que fizemos durante a semana de treinamento em jornalismo online Fit mit Zumba.

Também fui uma das apresentadoras de uma conferência do DAAD em comemoração aos 25 anos do programa de pós-graduação com relevância para países em desenvolvimento, do qual sou beneficiada. Tem uma fotinho minha e da minha amiga Christine no palco aqui.

Agora tô trabalhando num novo projeto online sob o tema “diferença de idade em relacionamentos”. Foi pra esse projeto que entrevistei aquele casal do qual contei outro dia. Assim que estiver pronto, posto também.

Ufa! Chega dezembro mas não chega o fim desse semestre!

Em fase de reconstrução…

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Não, não o blog. Eu mesma. Estou em fase de reconstrução.

Ando perdida em pensamentos e sentimentos, mergulhada em mim mesma.

Estou feliz, não me entendam mal. Estou apaixonada, tenho feito viagens bacanas, o tempo está melhorando, já estou terminando o primeiro ano do mestrado, minha família está bem, enfim. Está tudo bem. Mesmo.

É só que nos últimos meses tenho enxergado coisas em mim mesma que eu até então ignorava, ou preferia ignorar. É como se, de repente, eu estivesse nua de frente pro espelho, obrigada a encarar todos os meus defeitos e sendo “convocada” a mudar. Eu não sei exatamente o que despertou isso, mas há meses venho “escutando” meus defeitos gritarem comigo. Faz algum sentido?

Outro dia uma amiga me disse que eu não “falo” mais. Ela disse que eu vivo quieta e simplesmente não converso mais. Só então me dei conta do quanto ando mergulhada em mim mesma… talvez tentando me entender, achar respostas.

É um sentimento arrebatador de que é hora de mudar. Mas como eu ainda não sei direito como lidar com tudo isso e mudar, me calo.

Ontem fui entrevistar um casal para um projeto. Uma brasileira e um alemão, mais velhos, casados há 6 ou 7 anos. Os dois tinham uma energia ótima e uma forma muito leve de encarar  a vida. A conversa me deixou pensativa e, mais uma vez, mergulhada em um silêncio profundo.

Esse silêncio, naturalmente, se reflete no blog. Minhas frases andam desconexas, assim como meus pensamentos. Não consigo organizá-los e expressá-los coerentemente – nem verbalmente, nem por escrito. Por isso, continuarei sumida. Pelo menos enquanto não conseguir superar essa dificuldade em me expressar.

Aguentem firme.