Monthly Archives: Agosto 2012

Estamos indo de volta pra casa…

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Depois de 18 maravilhosos dias na Grécia estamos voltando pra casa, trocando os atuais 33ºC pelos 12ºC do lar doce lar.

Os dias na ilha de Paros foram ótimos. O isolamento do mundo (não tínhamos internet) me propiciou o enorme prazer de ler um livro de 580 páginas em 4 dias enquanto terminava de torrar no sol. Ah, como eu amo férias!

Na bagagem de volta, além de muitas fotos e a pança cheia de azeitonas e azeite, levo uma garganta inflamada, um nariz entupido e uma tosse irritante, combinação de muito calor + ar condicionado. E só porque desgraça pouca é bobagem, minha última viagem em mares gregos foi selada com uma visitinha básica ao banheiro, pra aliviar o estômago que se revirou com o balanço do mar por 5 horas. Valha-me Deus!

Então “simbora”, porque setembro traz consigo muitas provas e um novo semestre!

Direto do paraíso

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Vocês se lembram da novela Belíssima, com o Tony Ramos? Se lembram da ilha onde o personagem dele, o Nikos, vivia? Das casinhas branquinhas, com portas e janelas azuis e aquela paisagem de tirar o fôlego? Pois é. Estamos há dois dias numa ilha vizinha, na região das Cíclades.

Os 3 dias que passamos em Atenas foram ótimos. Muita história, muito calor, muita comida boa e uma atmosfera efervescente. Mas não tem como não se apaixonar por Syros. A ilha é pequena, com paisagens espetaculares, praias lindas e um clima bem familiar. Além disso, Syros não é um destino muito popular entre os estrangeiros e, por isso, é bem menos turística e lotada do que as famosas Mykonos e Santorini.

Estamos ficando em uma casa tipicamente grega que alugamos pelo Airbnb –  site que tem como proposta oferecer aos viajantes a oportunidade de se hospedar em domicílios particulares por preços razoáveis, no mesmo estilo do filme O amor não tira férias. A casa fica em Ano Syros, uma cidadezinha medieval construída em 1300 com ruas estreitas, portas coloridas e azaléias por todos os lados. Um charme!

A mãe da nossa anfitriã nos recebeu calorosamente, com abraços verdadeiros (ah, pessoas formidáveis esses gregos!), uma porção de quitutes tipicamente gregos e um brinde de boas vindas. Na geladeira tinha suco, leite, vinho branco, margarina, geleias caseiras, ovos, ingredientes para preparar uma salada tipicamente grega (tomates, pepinos, cebola roxa, queijo feta, azeitonas e azeite) e moussaka. Na mesa tinha um licor grego, pãezinhos, torradinhas e vários outros quitutes feitos por ela mesma. Foi uma recepção e tanto! Juro que eu quase chorei de emoção e abracei a mulher umas 3 vezes como forma de agradecimento.

Sempre que ela nos vê no jardim sentados curtindo a vista do porto, ela aparece com alguma guloseima. Ontem de manhã foi café grego e um doce de morango. Ontem à noite foi uns peixinhos curtidos no azeite pra complementar o jantar, melão cortadinho de sobremesa e um licor com gosto de xarope de tosse (sabe qual é, aquele melado? não lembro o nome) pra finalizar. Hoje de manhã foi uns muffins de frutas e uns sticks com sementes. Como vocês vêem, estamos passando muuuuuuito bem (e engordando loucamente também).

Nossas conversas com a Andriana (mãe da nossa anfitriã) sobre os gregos, a crise e o sensacionalismo da mídia internacional em relação à mesma rendem mais um post.

Mas esse fica pra próxima porque agora eu vou ali torrar minha bunda no sol. Beijo, tchau!

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Minha primeira experiência com o “Ramadã”

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Eu acho que eu já falei por aqui que, desde o primeiro dia do mestrado, minhas amigas mais próximas aqui em Bonn são a Ibtisam (egípcia), a Christine (queniana) e a Monika (polonesa). É claro que aprendo muito com todas elas e também com outros colegas e amigos queridos, mas a convivência com a Ibtisam – minha primeira e única amiga muçulmana – é realmente um aprendizado diário.

Desde o dia 21 de julho é Ramadã no mundo islâmico. Isso quer dizer que os muçulmanos, como a Ibtisam, observam um jejum (comida, bebida e sexo) entre o nascer e o pôr do sol. O jejum dura um mês inteiro e representa um ato de renovação da fé.  Ao final desse período, a comunidade islâmica celebra o Eid al-Fitr por 3 dias com banquetes e outras atividades religiosas. Mais sobre o assunto, aqui.

Após 4 semanas sem nos vermos, ontem nos reunimos – eu, Ibtisam, Monika, Christine e uma outra amiga, a Natalia (russa) – pra botar o papo em dia.

Primeiro nos encontramos só pra papear e depois eu, Ibtisam e Monika seguimos para um restaurante turco, onde havíamos feito uma reserva pras 9 da noite, quando o sol se põe por essas bandas de cá nessa época do ano e a Ibtisam finalmente pode fazer sua primeira (e única) refeição do dia, já que de manhã ela prefere dormir a acordar antes do nascer do sol pra comer.

Chegamos um pouco antes das 21h e o restaurante, que estava cheio, de repente lotou. Nas mesas, os pães e saladas permaneciam intocados. Todos à espera do pôr do sol e do Azan – o chamado da mesquita pra iniciar a oração (que foi, neste caso, feito artificialmente pelo restaurante).

Às 21h07, o Azan tocou e todos começaram por uma fruta seca que estava no meio da mesa. Ibtisam nos explicou que esse doce tem o intuito de quebrar o jejum devolvendo a energia ao corpo, que fica mais debilitado durante essa época.

Foi a primeira vez na vida que ouvi falar e vivenciei de perto o Ramadã e confesso, não sei se minha fé é grande o suficiente pra jejuar um dia inteiro, sem pestanejar.

Como escrevi num outro post, eu não tenho a menor intenção de mudar de religião, mas admiro os muçulmanos pelo compromisso com a sua própria fé.

E a vida vai melhorando!

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De repente as pessoas à minha volta começaram a se mudar e, nessa leva, eu vou me beneficiando.

1) Minha sogra se mudou e eu herdei um pequeno móvel que não coube na casa nova e que vai ser muito útil aqui pra colocar coisas que ficam entulhadas na minha cozinha-wannabe (viva!);

2) Uma amiga brasileira está se mudando da residência estudantil e eu herdei um espelho. Após um ano vendo só meu rosto no espelho do banheiro, finalmente vou conseguir me ver de corpo inteiro antes de sair pros lugares (viva 2!);

3) Meu ex-chefe da ONU está se mudando pro Camboja e vai fazer um open house em setembro, vendendo umas coisas e doando outras. Acabo de negociar com ele a compra de uma impressora e um DVD player por míseros 30 euros. Além disso, estou autorizada a levar uma mala no dia pra pegar DVDs, livros e outras coisas que ele vai doar antes de ir (viva 3!).

Viver um ano sem essas coisas me fez enxergá-las como pequenos luxos. Com essas doações e aquisições por preços simbólicos, a vida definitivamente vai melhorando!

Acho que agora vou até me dar o luxo de comprar uma cafeteira Senseo (nova! ó!) pra tomar cappuccinos decentes em casa no inverno!

P.S.: Mais alguém em Bonn querendo me doar alguma coisa?hehe

Um homem bateu à minha porta e eu abri…

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Um estranho bate à minha porta sem interfonar antes, me pergunta se eu sou cristã e sugere que eu vá conhecer a religião dele. Eu agradeço educadamente pelo convite (me perguntando de onde ele surgiu, assim, na porta do meu dormitório??!!!!) e digo que já tenho uma religião. Ele sugere que eu não conheço Deus “de verdade” (to my face!) e blablablá.

Eu (ainda tentando entender o que estava acontecendo) digo que também acredito em Deus e em Jesus, só tenho uma perspectiva um pouco diferente. Acredito também em reencarnação.

Ele arregala os olhos e diz que religião e crença são coisas diferentes. Ele diz, “não basta ter uma religião, você tem que experienciar Deus. Porque a morte…. ah, a morte é uma coisa terrível”.

Não me aguento e apelo: você me desculpe, é muito gentil da sua parte vir até aqui, mas esse é um assunto que eu não discuto. Passar bem.

Como assim também rola essa pregação de porta em porta aqui na Alemanha, em plena residência estudantil?