Monthly Archives: Fevereiro 2012

How do you make new land?

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Como o Porto de Rotterdam – maior porta de entrada para todos os produtos que a Europa importa – está ficando pequeno pra atender à crescente demanda, desde 2008 a Holanda está trabalhando num projeto de expansão do mesmo. O projeto inclui a criação de novas porções de terra, ou melhor, a recuperação de áreas que já foram habitadas e que hoje estão debaixo do oceano. Como? Barrando a água. Simples assim.
Fui visitar essa área, chamada de Maasvlakte 2, e fiquei impressionada. Tinha uma pequena exposição explicando todo o processo de recuperação das porções de terra, os planos futuros, os benefícios para a economia holandesa, os impactos ambientais e como eles planejam minimizá-los e fotos panorâmicas mostrando o quanto de terra já foi emersa do oceano.
66% da Holanda está abaixo do nível do mar, por isso o país é protegido por grandes diques. Isso eu já tinha visto com os meus próprios olhos. Mas que há projetos de tirar ainda mais porções de terra debaixo d’água foi uma surpresa pra mim!
Todo o projeto, que inclui até a construção de uma nova praia, fica pronto em 2030. A primeira fase já estará pronta no ano que vem. E viva a engenharia!

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Temperatura: 7ºC – hora de ir pra… praia!

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No fim de semana a temperatura por aqui ficou entre 6ºC e 7ºC. Após semanas com temperaturas abaixo de zero, o tempo, razoavelmente agradável, convidava a fazer passeios ao ar livre. Munidos de bons casacos e cachecóis (bem, só eu precisava do cachecol), lá fomos nós caminhar pelas praias da região – em pleno inverno.

As fotos são de passeios por praias da região de Brielle, Oostvoorne e Scheveningen (Haia).

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Um breve panorama da mídia alemã

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Estudando “Mídia e Política” esses dias encontrei um material sobre o sistema midiático na Alemanha com fatos super bacanas. Achei que era a oportunidade perfeita para quebrar o ciclo de posts irrelevantes e escrever sobre algo útil.

Um breve panorama do mercado de impresso:

– Dos cerca de 83 milhões de alemães, 49 milhões lêem o jornal diariamente

– O jornal mais lido do país é o tabloid “Bild”, da editora Springer (3,3 milhões dos 25 milhões impressos diariamente – entre jornais nacionais, regionais e locais)

– Os 5 jornais nacionais diários mais importantes são: Süddeutsche Zeitung – politicamente de centro-esquerda (com sede em Munique); Frankfurter Allgemeine Zeitung – conservador/direita (sede em Frankfurt); Welt – conservador (sede em Berlim);  Frankfurter Rundschau – centro-esquerdista (sede em Frankfurt); Tageszeitung – alternativo e crítico em relação ao governo (sede em Berlim)

– O jornal semanal mais lido é o “Zeit” (491 mil exemplares vendidos por semana)

Quanto ao rádio e à televisão, a Alemanha tem um sistema dual, formado por emissoras públicas e privadas. As emissoras públicas são financiadas por meio de taxas mensais pagas pelos próprios consumidores e regulamentadas por grêmios formados por grupos da sociedade civil, como representantes da igreja, sindicatos, do governo, de partidos políticos diversos, de associações que zelam pelo direito do consumidor, etc. Os canais públicos pertencem a dois grupos principais – ARD e ZDF – e oferecem programas de qualidade (pelo menos essa é a proposta), com foco em temas de interesse público. Entre as emissoras privadas, as mais importantes são Sat1 e ProSieben (que pertencem ao mesmo grupo) e RTL e VOX (que também pertencem a um só grupo). Uma lista mais completa, você encontra aqui.

Para ter acesso ao sinal de rádio/tv é preciso pagar uma taxa de 17,98 por mês. Para o sinal de TV digital ou cabo (pacotes do tipo Sky), as taxas são extras.

Bem, taí um breve e bem simplificado panorama sobre a mídia alemã.

Quanto à qualidade do que é produzido eu não posso falar muito. Quase não assisto à TV e não escuto rádio. O pouco que vi das emissoras comerciais é praticamente do mesmo nível do que passa nos canais abertos no Brasil (muitas vezes bem mal feitos – em termos de qualidade técnica): talkshows do tipo “Márcia”, reality shows do tipo Big Brother (um inclusive, sobre ex-famosos tentando sobreviver no meio da mata, tem 3 brasileiros), novelas muito, mas muito ruins mesmo e esse tipo de coisa. Os comerciais também são hilários, do tipo “faça amigos pelo celular, disque 0800”, ou “encontre sua alma gêmea no site http://www.blablabla.de”.

Há 6 meses…

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Há 6 meses e 2 dias eu desembarcava em Frankfurt com duas malas gigantes e uma mochila nas costas. Somado ao aprendizado e às lembranças, isso era tudo o que eu trazia da vida e da versão de mim mesma que ficaram para trás.

Deixei minha família, meus amigos – todos escolhidos à dedo -, meu emprego fixo (o primeiro com carteira assinada, com direito a férias e décimo terceiro), a boa comida, o sol, pequenos luxos, “meu” apartamento e meu carro pra realizar dois sonhos: fazer um mestrado na Alemanha e um estágio na ONU, o que na real significava encarar a vida de uma estudante estrangeira  e bolsista e trabalhar de graça.

Meu bem mais precioso: minha família!

Se valeu a pena? Esses foram os melhores 6 meses da minha vida, em todos os aspectos. Se foi fácil? Não, nem sempre. Mas eu escolhi estar aqui e não há felicidade maior no mundo do que ter a certeza de que se está onde deveria estar.

Li algo de Chico Xavier que expressa exatamente como me sinto e como sempre tento ver as coisas, mesmo nos momentos em que fraquejo e reclamo. Achei que tem tudo a ver com esse momento de reflexão e balanço.

E que venham mais 6 e outros 6 e outros 6!

“Você nasceu no lar que precisava nascer, vestiu o corpo físico que merecia, mora onde melhor Deus te proporcionou, de acordo com o teu adiantamento.

Você possui os recursos financeiros coerentes com tuas necessidades… nem mais, nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas. 
Seu ambiente de trabalho é o que você elegeu espontaneamente para a sua realização. 
Teus parentes e amigos são as almas que você mesmo atraiu, com tua própria afinidade. 
Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle. 
Você escolhe, recolhe, elege, atrai, busca, expulsa, modifica tudo aquilo que te rodeia a existência. 
Teus pensamentos e vontades são a chave de teus atos e atitudes. São as fontes de atração e repulsão na jornada da tua vivência. 
Não reclame, nem se faça de vítima. Antes de tudo, analisa e observa. 
A mudança está em tuas mãos. 
Reprograma tua meta, busca o bem e você viverá melhor. 
Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” 

(Chico Xavier)

Primeiras provas: a saga!

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E é isso o que tenho feito na última 1 semana e meia: lernen = estudar.

Após estudar “Globalização” e “Mídia e Política” (sofrido, sofrido), agora é a vez de International Media Systems in Comparison (algo como Sistemas Midiáticos Comparados). Estou atrasada no cronograma de estudos em dois dias (Mídia e Política me consumiu 4 dias em vez de 3 e ontem boicotei meu próprio planejamento)… ainda tem 9 matérias pela frente. Hunf…

Mas separei um material sobre o qual quero escrever aqui no blog: o sistema de comunicação/mídia na Alemanha. Espero conseguir escrever em breve!

Countdown: 20 dias pra primeira prova

 

Sobre casamentos arranjados

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Casamentos arranjados eram uma realidade muuuuuuito distante pra mim até pouco tempo atrás. Sempre escutei estórias sobre essa prática na Ásia e no Oriente Médio e sabia que isso também era comum no Brasil há muitos anos atrás, mas nunca imaginei conviver com pessoas para as quais esse tipo de união é perfeitamente normal.

A maioria dos meus novos amigos vêm da Ásia e do Oriente Médio. Casamentos arranjados são, portanto, uma prática comum na cultura deles. A ordem comum das coisas –  se apaixonar, namorar e, se tudo for bem, casar – não faz parte das expectativas e nem dos planos deles. O casamento nesses países é praticamente uma transação de negócios. 

Num jantar qualquer no ano passado, uma colega de Bangladesh disse que nunca se casaria com um cara que fosse menos qualificado do que ela e contou que trocar currículos (sim, o velho e bom CV) antes mesmo de conhecer o candidato pessoalmente é uma prática comum por lá. Ela tem 37 anos, é advogada e jornalista, fez mestrado e MBA na Alemanha e tem visto de residência permanente no país. Qual é a chance de ela encontrar um cara mais qualificado e mais velho que ela que ainda esteja solteiro em Bangladesh?

Meu amigo da Índia (27 anos) acredita que casamentos arranjados sejam mais seguros e menos complicados, porque não se cria tanta expectativa em relação ao parceiro. Você aceita o cônjuge como ele é e a união é pra vida inteira. O amor, bem… o amor nasce com o tempo, com a convivência.

Minha amiga do Egito está passando por uma situação dificílima agora, dividida entre a religião e o amor. Ela, muçulmana, está apaixonada por um alemão sem crença alguma. Na religião dela só é permitido namorar se a intenção for mesmo casar, o que nesse caso é um pouco mais complicado do que simplesmente noivar e fazer promessas de amor.

Homens muçulmanos podem casar-se com mulheres não-muçulmanas, contanto que elas pertençam a uma doutrina cristã (porque o islamismo também acredita no cristianismo). A recíproca, no entanto, não é verdadeira. Uma mulher muçulmana só pode se casar com homens que compartilhem da mesma crença, ou seja, se o cara não for muçulmano de nascença, ele tem que se converter. Não há meio termo.

Acontece que o islamismo não é só uma religião, é todo um estilo de vida, que inclui várias preces diárias, abdicação à bebida alcóolica, jejuns por longos períodos e etc. Então, o tal alemão está agora numa “sinuca de bico”: ou se converte ou pode esquecer o amor da vida dele.

Fato é que eu, que sou espírita, continuo duvidando que Deus exija que duas pessoas pertençam à mesma religião para compartilhar uma vida conjunta. Mas quem sou eu pra julgar a crença e a fé alheias? Então só me resta torcer pra que o camarada se converta e essa estória tenha um final feliz!

Por que a Holanda é mais cara do que a Alemanha?

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Como eu contei no post anterior, tô passando férias na Holanda. Como tô hospedada na casa de um holandês, vivendo como uma moradora local, minha rotina aqui não envolve trens, mapas, guias de turismo, museus, albergues e malas e sim, voltinhas à pé pelo bairro, visitas regulares ao supermercado, idas ao centro da cidade pra comprar coisas do dia-a-dia como shampoo e sabonete, algumas horinhas com a barriga no fogão (não todos os dias), visitas à amigos, cineminha e programas simples, daqueles que a gente faz quando está passando as férias em casa, saca (homenagem à minha ex-professora Letícia)? 

Eis que as horas que passo na frente de cada prateleira no supermercado nessa minha vida de “cidadã-quase-holandesa-que-não-fala-holandês” têm me levado a reparar em outra coisa (além do fato de o holandês ser bem mais difícil do que o alemão): os preços são bem mais salgados por aqui.

Um litro de leite aqui custa quase o dobro do que custa na Alemanha. Ontem vi o mesmíssimo iogurte que compro em Bonn custando 0,69 centavos a mais do que pago no Rewe – que não é lá o supermercado mais barato da Alemanha. Para ter acesso à TV aqui é preciso pagar um provedor (UPC, único disponível), cuja taxa mensal é de cerca de 15 euros (e os alemães ainda reclamam da taxa de cerca de 17 euros que eles pagam por ANO para ter acesso a um ponto de TV na casa Professor passou informação equivocada, Francis França esclareceu logo abaixo). Os carros aqui também custam 30%  mais do que na Alemanha.

Por que será que, mesmo sendo vizinha da Alemanha, a Holanda tem preços tão diferentes? Okay, você vai me dizer que eles são um país menor e, por não ter espaço pra produzir tanta coisa, eles importam muito. Mas eu nem cheguei na parte de verduras, legumes e carnes… estou falando de iogurte, leite (hello, aqui não é o país das lindas vaquinhas holandesas?), cereais…

Vai entender! Explicação da Francis França logo no comentário abaixo. Vivendo e aprendendo. Brigada pelo esclarecimento, veterana!

P.S.: Ah, sim. Eu estou perto de Rotterdam aí nesse mapinha.