Monthly Archives: Fevereiro 2013

Medicina de primeiro mundo

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No ortopedista na segunda-feira:

Médico entra na sala, encosta na janela, cruza os braços e diz em alemão: Hjljggvcrt hutfv dbr hgtr.

Eu, que achava que fala alemão super bem: Ãhn?

Assistente do doutor olha pra mim e repete, também em alemão: Tire os sapatos, por favor.

Eu: Ah tá. Então doutor, eu sinto uma dor no calcanhar quando eu ando, mas não é sempre. É como se um osso tivesse solto no pé e ficasse raspando na pele enquanto eu ando.

Médico: Tgb njhuh tvbdudndk.

Eu: Oi?

Assistente: Dê uma volta na sala.

Eu: Ah, okay.

Médico: Hggfdvvr ionngrty.

Eu: Desculpa?

Assistente: Deite-se na mesa sobre o seu ombro direito.

Médico torce minha coluna sem avisar, eu grito, ele fala uma dúzia de palavras incompreensíveis pra assistente, saí da sala e nunca mais volta.

Passo na recepção na saída pra pegar a receita do que eu tenho que comprar.

Sim, o médico era alemão. Não, ele nem tocou no meu pé e eu não tenho ideia de qual é o problema. Só sei que entrei no consultório com um calcanhar doendo e saí com a coluna em frangalhos.

De portas abertas

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bancoVocê já foi barrado na porta giratória de um banco?

Se lembra de ir colocando guarda-chuva, celular, chaves, bolsinhas de moeda, MP3 e por fim a bolsa inteira naquela portinha do segurança, até a porta giratória parar de apitar quando você tenta passar? Se lembra da raiva e da vergonha em ver uma fila inteira se formando atrás de você enquanto você tenta explicar pro segurança que não tem mais nada de metal na sua bolsa?

Pois é… eu me lembro de tudo isso cada vez que vou ao banco aqui na Alemanha, só que com o sentimento inverso. Os bancos na Alemanha não têm porta giratória. Na verdade nem me lembro de alguma vez ter visto um guarda vigiando a entrada (vou reparar na próxima vez). É puxar ou empurrar a porta (geralmente encostada por causa do aquecedor interno) e ir direto ao caixa. Sem barreiras, sem qualquer controle.

Como boa paulistana, ainda com o hábito de não abrir a carteira no meio da rua, não carregar muito dinheiro, nem todos os cartões na carteira e a manter distância de pessoas mal encaradas, não consigo evitar a pergunta: essas pessoas não têm medo de um maluco qualquer entrar, sacar uma arma da bolsa, levar todo o dinheiro dos caixas e ainda machucar alguém no processo?

Aí eu me lembro que eu estou na Alemanha e que, embora o país não esteja livre de furtos e violência, os bancos aqui podem se dar ao luxo de viver de portas abertas e não fazer nenhum cliente passar pelo desconforto de ter que mostrar tudo o que tem na bolsa antes de entrar.

Passport, please.

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Toda vez que eu vou pra Holanda os caras da polícia federal (ou sei lá como eles se chamam na Holanda) me mostram seus crachás e pedem meu passaporte. Algumas vezes gentilmente, outras nem tanto. Posso estar dormindo, lendo ou comendo, , eles batem os olhos nos meus lindos cabelos negros e me pedem o documento, perguntam por que estou indo pra Holanda e blablablá. Tudo com a maior cara de detetive do “Law and Order” (o seriado americano).

Da última vez eu quase passei despercebida graças a um casal de russos sentados a algumas poltronas da minha. Mas eu dei a bobeira de deixar o livro do Gabriel Garcia Marquez que eu estou lendo (em português) em cima do assento ao meu lado, assim, com a capa virada pra cima, pra qualquer um ver. Eu tentei fazer cara de paisagem, mas o cara olhou pro livro, olhou pra minha cara e me pediu o documento.

Não é por nada. Eu vivo aqui legalmente e não tenho nada a esconder. Mas é que é um saco ter que sacar da bolsa o passaporte, meu Aufenthaltstitel (o registro nacional de estrangeiros, que serve como uma identidade) e o Zusatzblatt (um papel extra que explica onde eu estudo) da bolsa toda santa vez e ter que explicar que moro em Bonn e estou indo passar o fim de semana na Holanda e blablabá.

Acho que vou pintar o cabelo de loiro e começar a levar comigo livros em alemão (daqueles velhões de sebo), uma garrafinha de água, uns “sandubas” de pão de forma no papel de alumínio e mudar minha malinha de roda por uma mochila de trekking. Talvez assim eles achem que eu sou alemã e parem de me importunar.

Kölle alaaf

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Nunca fui muito chegada à carnaval. Nunca pulei carnaval no Brasil (talvez uma vez ou duas quando eu era criança e só) e na Alemanha só assisti a um desfile uma vez em Freiburg, em 2009, mas não festejei.

Ontem fui pela primeira vez pular carnaval, em Mainz, com uma amiga minha que não via há anos e a quem eu vinha prometendo uma visita desde que cheguei na Alemanha, há um ano e meio. Até peguei um apetrecho emprestado com uma outra amiga pra ocasião: um chapéu de caranguejo. Eis que no meio da festa fui checar onde estava meu casaco (preto, lindo, da Zara, novinho) e cadê? Eu fiquei só 20 minutos sem vigiar e ele sumiu. Procurei em todo lugar da festa, minha amiga procurou, o marido dela também e até os amigos do marido dela entraram na dança. E nada do bendito. Estava tipo uns -5 graus fora da balada. Eu estava em outra cidade. Não foi nada engraçado. Malditos bêbados que não checam que casaco estão pegando antes de ir embora com o casaco alheio. Ódio mortal!  A fofa da minha amiga me emprestou o casaco dela pra voltarmos pra casa, porque ela estava com uma blusa fleece mais grossa. Desta maneira, não tive que sair na rua num frio de -5 graus só com uma blusinha de lã.

Na volta pra casa dela (eu ia dormir lá) passamos  no restaurante onde ela trabalha pra pegarmos as bicicletas dela que tinham ficado lá (ela tem duas). Ela montada numa bicicleta, eu em outra, fomos embora. O banco estava alto e eu estava pedalando na ponta dos pés. Não alcançava o chão, logo tinha que planejar cada parada.  Numa parada imprevista voei da bicicleta pro parapeito de uma loja. Ferrei o joelho na calçada, bati as costas no parapeito da loja e a cabeça da quina da parede. Todo mundo na rua parou. O tombo foi feio. Felizmente não cortei a cabeça. Meu joelho inchou um pouco, minhas costas e bunda estão doendo, meu pescoço tá duro e o resto provavelmente tá roxo, mas eu tô bem.

Numa mesma noite consegui ser roubada e me “estrupiar” numa queda de bicicleta.

Kölle alaaf pra vocês também!

Carnaval em Bonn

Carnaval em Bonn