Monthly Archives: Setembro 2012

Aniversário holandês

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Eu tenho certeza de que todos os blogs de brasileiros morando na Holanda têm pelo menos um post sobre o assunto “aniversário na Holanda”. E já que esse aqui é um blog de uma brasileira que vive entre a Alemanha e a Holanda também preciso escrever sobre isso uma vez, não e mesmo?

Werner faz aniversário na próxima terça-feira, então convidou os amigos pra comemorar a data já nesse fim de semana, aproveitando que eu estaria aqui também.

Eu já havia ido a outros três aniversários de holandeses, mas foi a primeira vez que ajudei a organizar um.

Da direita pra esquerda: Werner, sobrinha dele (em pé, pequenininha), a irmã dele e a mãe dele, no café de aniversário no domingo

Aniversário aqui é uma coisa bizarra. Começando pelo fato de que fica todo mundo SENTADO em uma roda na sala conversando a noite inteira. Às vezes tem música, às vezes não. Aqui rolou uma musiquinha de fundo. De qualquer forma, muito parado pro meu gosto.

Segundo que cada um que chega cumprimenta todo mundo que já está sentado dizendo “PARABÉNS” – tipo, “parabéns que seu amigo (a), irmão/irmã, filho (a), namorado(a), marido/esposa está fazendo aniversário” (oi??!!).

Minha amiga Cris (brasileira casada com o holandês Martin, amigo do Werner) já tinha me explicado isso quando eu fui ao aniversário do Martin em fevereiro, mas eu não consigo me acostumar. Tanto no aniversário do Martin quanto nos outros dois aniversários que eu fui, cumprimentei todo mundo só dizendo “oi” e se alguém me dizia o tal do “parabéns” eu lançava mão daquele sorrisinho amarelo e não respondia nada.

Ontem cada um que chegava me vinha com essa história de “parabéns”. Werner já sabe da minha antipatia por esse hábito bizarro holandês, então quando o primeiro amigo dele chegou e me cumprimentou dizendo “parabéns” nós dois tivemos que rir. A regra diz que você tem que responder “parabéns” de volta, afinal, a pessoa que está chegando também tem alguma relação com o aniversariante e também merece ser parabenizada. Mas o máximo que eu consigo dizer é “obrigada”. Talvez daqui um ano eu já esteja dizendo parabéns pra todo mundo como se isso fosse a coisa mais normal do planeta, mas ainda não dá. Não forcemos a amizade.

Terceira coisa engraçada é que não há UM bolo de aniversário e nem essa coisa de cantar “parabéns”, assoprar velas, fazer um pedido, cortar o bolo, oferecer o primeiro pedaço pra alguém especial e toda esse firula. Aqui há VÁRIOS bolos, comprados em supermercados e padarias. Todo mundo que chega ganha um copo de café ou cappuccino e um pedaço de bolo.

Funciona assim: o convidado chega, ele e o aniversariante trocam os cumprimentos próprios da data, aí o convidado sai dando os “parabéns” pra todo mundo da roda – a minha parte “preferida”, como vocês já sabem. Terminada essa fase, o anfitrião pergunta se ele quer café ou cappuccino e qual dos bolos ele quer. Resumindo: bolo e café são as primeiras coisas que você recebe num aniversário holandês.

O resto depende do aniversariante e do horário da comemoração. Se a comemoração for durante a tarde, existe uma regra de etiqueta que diz que os convidados devem ir embora antes do jantar, afinal, você foi convidado pra comer bolo, tomar café e comer uns aperitivos, não pra jantar. Nesses casos, a família geralmente fica pro jantar, mas isso também varia de família pra família.

Aqui a “festinha” começava às 8 da noite, ou seja, após o jantar. Então depois da rodada de bolo com café, oferecemos uns salgadinhos, brigadeiros, queijos, torradinhas, vinho, cerveja, suco e refrigerante e cada um foi embora na hora que quis.

Hoje tem a segunda sessão de bolo e café, dessa vez pra mãe, irmã e sobrinha do Werner. Mas com esse friozinho, um pedaço de bolo e um cafezinho à tarde caem bem. Então, hoje tô de acordo com o modo holandês de festejar!

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“Imagina na Copa”

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Sensacional essa iniciativa.

Imagina na Copa – um projeto que mostrará o lado bom do Brasil e do brasileiro

“A intenção da iniciativa é alavancar projetos, que já existem ou ainda estão no papel, para mudar a vida das pessoas e das cidades para melhor! Iniciativas de todos os tamanhos. De jovens que estão ajudando a galera a usar a bike para se movimentar de forma segura pela cidade ao pessoal que se mobilizou para ensinar uma língua estrangeira para crianças em comunidades carentes”. (Fonte: Imagina na Copa)

Vale muuuuuuito a pena checar e compartilhar! Eu apoio!!

A história da Eliana e do Richard

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Pra quem fala alemão, aqui vai a história da brasileira Eliana e do alemão Richard – um casal super alto astral, cuja diferença de idade é de 17 anos.

Esse foi um projeto que eu curti muito fazer pro mestrado no semestre passado. Hoje eu noto que as cores estão estouradas, o corte do áudio deixa a desejar e, principalmente, que eu poderia ter usado menos fotos para que cada uma pudesse passar mais devagar. Erro de iniciante. Sorry!

Mas o que vale é a história deles, que é inspiradora!

Afinal, a diferença de idade importa num relacionamento?

Festival teuto-brasileiro em Colônia

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Pros brasileiros que moram em Colônia e região, aí vai uma dica.

Dos dias 25 a 30 de outubro vai rolar um festival teuto-brasileiro na cidade de Colônia. Filmes, shows e outras atividades estão programadas.

Elba Ramalho, Paulo Moska e Luiz Melodia também estarão por aqui! Dê uma olhada aqui pra checar toda a programação.

A síndrome do “sabe-tudo”

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Sinceramente, tem hora que eu odeio conversar com alemão. É claro que não são todos, mas uma grande parte da população parece ser uma enciclopédia ambulante e, por isso, acredita saber tudo sobre tudo.

Ontem eu participei de uma conferência sobre cultura, mercado e desenvolvimento organizada pelo GIZ (Sociedade alemã para a Cooperação Internacional), o DAAD (Serviço alemão de Intercâmbio Acadêmico) , o IFA (Instituto para Relaçõex Exteriores) e pela Deutsche Welle. Fui lá dar minha humilde contribuição num painel sobre “Empregos criados pela mídia – potenciais criados por parcerias pelo desenvolvimento”. Eu e minha amiga Christine (do Quênia) falamos sobre o mestrado, sobre como chegamos aqui, nossa trajetória profissional, o mercado midiático nos nossos países, parcerias entre nossos país e a Alemanha e afins.

Quando o tal painel acabou fomos almoçar e dois dos participantes do nosso workshop nos acompanharam: um alemão e uma chinesa. Gente, que cara chato esse alemão! Pelo amor! O cara queria ensinar católico a rezar o Pai Nosso!

Estávamos falando sobre o Quênia – veja bem, a Christine é queniana -, aí o cara começa: “ah, sim, porque no Quênia as línguas oficiais são o inglês e o suaíli, mas existem dezenas de outras línguas faladas por etnias menores”. Ela só responde: “aham”. Aí mudamos pra África do Sul e o sujeito: “… porque as pessoas pensam que na África do Sul só tem negro, quando metade da população é branca”.

Okay.

Sei lá porque mudamos pra Índia. O camarada continua com sua lição de conhecimentos gerais não solicitada: “É muito engraçado. Na Índia as pessoas têm que se comunicar em inglês, porque existem tantas línguas que um indiano do sul não entenderia um indiano do norte”.  E continua: “a China e a Índia juntas têm metade da população do mundo”; “… a descoberta do petróleo foi uma desgraça pra Nigéria…”; “… a China já tem um programa consolidado de controle de natalidade ( e a chinesa do lado!! Oh my Gosh!)…” e blablablá.

Gente, será que esse cara acredita meeeeesmo que a gente não sabia de nada disso?

E afinal, quem perguntou?

Como eu odeio essa síndrome do “sabe-tudo” que acomete os alemães!

No 2º ano do mestrado…

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… a vida melhora, porque:

1 ) seu fim de semana passa a ter 4 dias. Rá! (esse não é o sonho de consumo de todo mundo?);

2) você finalmente consegue viver com o dinheiro da bolsa, sem ter que pedir socorro aos seus pais no Brasil;

3) seu peso finalmente se estabiliza e você aprende que a melhor maneira de controlar a balança e a sua conta bancária é trocar a comida da cantina da Deutsche Welle pela boa e velha marmita;

4) graças a doações e da verba extra do primeiro mês de bolsa do DAAD (no primeiro ano é a DW que paga a bolsa, no segundo o DAAD é quem financia) você agora tem um espelho de corpo inteiro, uma impressora, um DVD player, uma estante a mais e um netbook pra otimizar o tempo que você gasta nas longas viagens mensais entre a Alemanha e a Holanda;

5) você já tem um guarda-roupa de inverno preparado;

6) você já é uma ciclista profissional, com direito a capa de chuva, capinha pro assento e tudo mais;

7) você aprende que ir de bicicleta é mais rápido e menos estressante do que ir de ônibus, porque pontualidade alemã é coisa do passado;

8) você já aprendeu a manter um estoque de Taschentücher (lencinhos de papel) em casa e levar sempre uns pacotinhos na bolsa quando começa a esfriar;

9) você já sabe onde encontrar feijão, pão-de-queijo, guaraná, bolacha bono e afins;

10) você também já sabe onde comprar cada coisa: produtos de higiene pessoal e limpeza na DM, legumes e verduras no Rewe, artigos de papelaria na lojinha de 1 euro, roupas baratas na H&M, roupas de mais qualidade no Karstadt, etc.;

11) as viagens pra Holanda já te ensinaram que você tem que comprar a passagem um mês antes pra pagar menos;

12) você tem quem “te aqueça nesse inverno”. E essa, meus amigos, foi a mais linda surpresa e o melhor presente que eu poderia ter ganhado nesse primeiro ano por aqui. Ó, que final piegas!

Holandês

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Eu contei que eu finalmente tomei vergonha na cara e me matriculei num curso de holandês aqui em Bonn?

Hoje será minha terceira aula. No grupo somos 9 pessoas – 7 mulheres, 2 homens. Todos alemães, menos eu. Detalhe: TODAS as mulheres estão fazendo o curso porque namoram um holandês. Tive que rir.

O curso é de 1h30 por semana e leeeento que só, mas já deu pra aprender a dizer:

Hoe heet jij? Ik heet Karen. (Como você se chama? Eu me chamo Karen.)

Waar kom je vandaan? Ik kom uit Brazilië. (De onde você vem? Eu venho do Brasil.)

Waar woon je? Ik woon in Bonn. (Onde você mora? Eu moro em Bonn.)

Além de expressões para cumprimentar as pessoas e conjugações de verbos no presente. Okay, ainda não dá pra me comunicar com a minha “sogra”, cujo inglês é nulo, mas já é um começo.

A pronúncia continua sendo a minha maior dificuldade. Medonha, sem lógica alguma (desculpa, amor!)! Além disso, após 2 aulas eu já preciso pensar se em alemão o verbo “kommen” (vir) é com um “m” ou dois. Explico:

Em alemão o verbo “vir” é “kommen”, conjugação “ich komme” (eu venho).

Em holandês o mesmo verbo é “komen”, conjugação “ik kom”.

É de matar, não é não?

Já prevejo o futuro: meu alemão vai pelo ralo… certeza.