Monthly Archives: Abril 2013

Vejo flores em você…

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A razão de eu amar a primavera na Holanda: as tulipas (ganhei essas de um casal de amigos na última sexta-feira).
flores

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Doe het zelf

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Eu nunca reparei se alemães também são assim, mas holandês é chegado a um “doe het zelf” (faça você mesmo).

Como mão-de-obra aqui é cara, muita gente arregaça as mangas nas horas vagas e reforma suas próprias casas. Eles encaram de tudo: reformam banheiros e cozinhas, trocam pisos, pintam paredes, penduram lustres, trocam torneiras, etc.. Os móveis, claro, também são quase sempre da IKEA: bonitos, baratos, mas que precisam ser montados pelo próprio consumidor em casa com a ajuda de um manual de montagem. Nada de entrega  e montagem gratuitas. Se as novas aquisições não couberem no seu carro, você tem que estar preparado pra pagar um frete bem salgado.

guarda-roupas

Até as portas do guarda-roupas vieram desmontadas: 8 placas de vidros e partes soltas de alumínio.

Na teoria, a filosofia “faça-você-mesmo” é bem romântica (e econômica também), mas na prática… haja paciência!

Compramos um guarda-roupas novo, um sofá-cama, uma estante de livros e uma escrivaninhas na IKEA. Tudo lindo – na loja. Achei que algumas partes, como gavetas, já viessem pré-montadas.  Ledo engano. Tudo, absolutamente tudo, tem que ser montado. Inclusive as gavetas.

Meu “namorido” é uma pessoa maravilhosa, mas tem o irritante hábito de postergar tudo o pode. Afinal, pra que fazer hoje o que você pode fazer na semana que vem, ou na outra? Ele não se incomoda com bagunça, coisas não terminadas, caixas pelo chão, soluções temporárias como roupas em malas e afins. Então que há 1 mês e meio estamos montando o guarda-roupas e ainda faltam os detalhes finais.

Eu passei uma tarde toda montando gavetas, vou encaixando os pregos e seguro as estruturas pra ele parafusar toda santa vez, mas tem coisas que o meu tamanho, somados a minha falta de habilidade, não permitem.

O sofá-cama, a estante de livros e a escrivaninha só foram montados depois de muita pressão (e com a minha ajuda) e os quadros, lustres e novos cestos de lixo (que devem ser instalados dentro do armário) estão todos na sala há quase 2 meses, esperando sua vez de serem pendurados e instalados.

Mas o highlight da casa é o banheiro. Assim como 90% dos holandeses (estimativa minha), namorido também resolveu se arriscar na profissão de pedreiro. Arrancou o vaso sanitário, a porta e os tijolos do banheiro, mudou a pia de posição, fez uma gambiarra pra tudo continuar funcionando e… nunca começou a reforma efetivamente. Há 2 anos o banheiro espera ser reformado e a pessoa tem que descer pro lavabo no meio da noite se quiser fazer xixi, pendurar um lençol no vão da porta pra tomar banho no inverno e ver a água da pia sendo “desovada” dentro do box do banho por meio de um cano improvisado. Já reclamei, já ameacei não vir mais pra cá, mas nada move a criatura. Procrastinação é a palavra de ordem por aqui.

banheiro

Pra provar que não é dramalhão meu.

Achei que isso fosse mal do “namorido”, até que descobri um programa na TV holandesa que se chama “Help, mijn man is klusser” (algo como: socorro, meu marido é um viciado em faça-você-mesmo). É gente que começou mil reformas em casa, nunca terminou e vive em situações temporárias eternas do tipo tomando banho na garagem. Até a hora que a esposa não aguenta mais e chama um programa de TV com uma equipe de pedreiros pra ajudar a terminar a reforma.

Com a minha falta de habilidade para o “doe het zelf”, não me resta alternativa a não ser esperar o “bonito” ter tempo e coragem pra terminar o guarda-roupa, furar as paredes e pendurar as coisas.

Pelo menos consegui convencê-lo a contratar pedreiros profissionais pra fazer a reforma do banheiro. Ele concordou meio que a contra-gosto, porque sabe que a brincadeira vai ficar cara. Mas ninguém mandou ele começar, não é?

E haja paciência!

Sobre a tese e a vida

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Eu nem me lembro se tinha comentado aqui antes, mas estou na reta final do meu mestrado (Hip, hip, hoera!!). Tive as últimas aulas do curso em janeiro  e fiz minhas últimas provas em fevereiro, desta vez, sem percalços.

Desde março estou “só” pesquisando e escrevendo minha tese de mestrado. Tenho que entregá-la em julho, defendê-la em agosto e então “c’est fini”.

Estou pesquisando sobre um tema que eu sempre curti: marketing social/“behavior change communication”/public health communication, ou seja, estratégias de comunicação para promover mudanças de comportamento, como parar de fumar, vacinar os filhos, fazer sexo seguro, dirigir com o cinto de segurança, reciclar, etc..

livros mestrado

Minha pesquisa foca em campanhas de comunicação para HIV e AIDS, então na parte prática vou analisar e comparar 4 campanhas desenvolvidas por organizações internacionais: uma suíça, uma sul-africana, uma moçambicana e uma indiana (conseguir essas campanhas é que está sendo uma novela mexicana). Embora o tema seja super interessante, essa fase de enclausuramento domiciliar não é a mais empolgante do universo, por isso o sumiço.

E como estou morando mais na Holanda do que na Alemanha agora, meus dias se resumem a ler, fazer anotações, de vez em quando escrever algo, cozinhar, lavar e limpar. Resumindo, tô numa fase pesquisadora/dona-de-casa.

Odeio passar o dia sozinha em casa e estar a 40 minutos (caminhada+ônibus+metrô) da amiga mais próxima. Odeio não ter conhecimento suficiente da língua pra manter uma conversa decente e  não saber onde comprar ou resolver as coisas.  Odeio ter que descobrir novo lugar pra depilação, pra fazer as sobrancelhas, pra consertar o casaco ou fazer as barras da calça. Ah, sim, e odeio os afazeres domésticos – tirar pó, trocar os lençóis, trocar as toalhas, passar aspirador, passar pano, pensar no que cozinhar a cada dia, lavar e pendurar roupa já era chato o suficiente num quartinho de 18m², imagine numa casa inteira? Mas como diz minha mãe: o enclausuramento é necessário para que eu possa encerrar esse ciclo da minha vida e iniciar outro.

Agora me resta parar de “mimimi” e arrumar alternativas pras coisas que eu “odeio” nessa “nova vida”, afinal, ninguém disse que seria fácil mudar de país (de novo), aprender uma nova língua, escrever minha dissertação de mestrado e lidar com as burocracias de um novo visto tudo de uma vez, não é mesmo? Mas eu escolhi estar aqui, não foi? Então tá na hora de parar de choramingar, encarar a mudança de frente e começar tudo novo, de novo.

Passei!

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Fui pra Berlim fazer a tão temida prova de conhecimentos básicos de holandês semana passada.

Tinha passado as duas semanas anteriores à prova estudando como louca e com a sensação de que não tinha sido o suficiente, porque as aulas com os pais de um amigo do meu namorado miaram na última hora e tive que estudar as 65 lições do livro preparatório e o outro livro com as 100 fotos sozinha em casa. Além disso, nas 3 primeiras semanas de março só estava estudando holandês 2 vezes por semana, porque não podia parar com a pesquisa da minha tese de mestrado por tanto tempo.

“Daí” que nas duas últimas semanas me bateu um desespero (nisso que dá ficar lendo fóruns sobre a prova e comunidades no Facebook), então deixei a tese de lado e me concentrei só no holandês. Fui estudando tudo o que me recomendavam: sites, áudios que simulam a parte mais difícil do teste e me forçando a assistir ao jornal e a qualquer programa (mesmo os mais estúpidos) que passavam na TV holandesa à noite.

Imagina só reprovar e ter que pagar 350 euros novamente pra fazer uma nova prova, além das passagens pra Berlim?

Logo após a prova a moça do consulado me falou que eu tinha passado, mas eu ainda não sabia como eu tinha me saído de fato. Hoje recebi o resultado oficial.

Na primeira parte e na terceira eu acertei tudo, consegui 100% nas duas partes. Na segunda parte, que era a mais difícil, eu fiz 47 pontos de um total de 79.

47 pontos é, segundo a tabela que eles enviaram junto, comecinho do nível B1 da tabela internacional. Mas eu me considero mais um A2.

Mais uma etapa vencida 🙂 Agora é esperar os documentos “desempepinarem” em Frankfurt pra que eu possa aplicar pro visto.