Monthly Archives: Abril 2013

Vejo flores em você…

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A razão de eu amar a primavera na Holanda: as tulipas (ganhei essas de um casal de amigos na última sexta-feira).
flores

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Em comemoração à Primavera…

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… guardei as botas e estreei os lindos tênis azuis que minha mãe tinha me dado em dezembro e que eu nunca tinha usado (hora pelo calor exagerado do Brasil, hora pelo frio exagerado da Europa).

Seja bem vinda, primavera. E, por favor, fique desta vez.

spring

Doe het zelf

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Eu nunca reparei se alemães também são assim, mas holandês é chegado a um “doe het zelf” (faça você mesmo).

Como mão-de-obra aqui é cara, muita gente arregaça as mangas nas horas vagas e reforma suas próprias casas. Eles encaram de tudo: reformam banheiros e cozinhas, trocam pisos, pintam paredes, penduram lustres, trocam torneiras, etc.. Os móveis, claro, também são quase sempre da IKEA: bonitos, baratos, mas que precisam ser montados pelo próprio consumidor em casa com a ajuda de um manual de montagem. Nada de entrega  e montagem gratuitas. Se as novas aquisições não couberem no seu carro, você tem que estar preparado pra pagar um frete bem salgado.

guarda-roupas

Até as portas do guarda-roupas vieram desmontadas: 8 placas de vidros e partes soltas de alumínio.

Na teoria, a filosofia “faça-você-mesmo” é bem romântica (e econômica também), mas na prática… haja paciência!

Compramos um guarda-roupas novo, um sofá-cama, uma estante de livros e uma escrivaninhas na IKEA. Tudo lindo – na loja. Achei que algumas partes, como gavetas, já viessem pré-montadas.  Ledo engano. Tudo, absolutamente tudo, tem que ser montado. Inclusive as gavetas.

Meu “namorido” é uma pessoa maravilhosa, mas tem o irritante hábito de postergar tudo o pode. Afinal, pra que fazer hoje o que você pode fazer na semana que vem, ou na outra? Ele não se incomoda com bagunça, coisas não terminadas, caixas pelo chão, soluções temporárias como roupas em malas e afins. Então que há 1 mês e meio estamos montando o guarda-roupas e ainda faltam os detalhes finais.

Eu passei uma tarde toda montando gavetas, vou encaixando os pregos e seguro as estruturas pra ele parafusar toda santa vez, mas tem coisas que o meu tamanho, somados a minha falta de habilidade, não permitem.

O sofá-cama, a estante de livros e a escrivaninha só foram montados depois de muita pressão (e com a minha ajuda) e os quadros, lustres e novos cestos de lixo (que devem ser instalados dentro do armário) estão todos na sala há quase 2 meses, esperando sua vez de serem pendurados e instalados.

Mas o highlight da casa é o banheiro. Assim como 90% dos holandeses (estimativa minha), namorido também resolveu se arriscar na profissão de pedreiro. Arrancou o vaso sanitário, a porta e os tijolos do banheiro, mudou a pia de posição, fez uma gambiarra pra tudo continuar funcionando e… nunca começou a reforma efetivamente. Há 2 anos o banheiro espera ser reformado e a pessoa tem que descer pro lavabo no meio da noite se quiser fazer xixi, pendurar um lençol no vão da porta pra tomar banho no inverno e ver a água da pia sendo “desovada” dentro do box do banho por meio de um cano improvisado. Já reclamei, já ameacei não vir mais pra cá, mas nada move a criatura. Procrastinação é a palavra de ordem por aqui.

banheiro

Pra provar que não é dramalhão meu.

Achei que isso fosse mal do “namorido”, até que descobri um programa na TV holandesa que se chama “Help, mijn man is klusser” (algo como: socorro, meu marido é um viciado em faça-você-mesmo). É gente que começou mil reformas em casa, nunca terminou e vive em situações temporárias eternas do tipo tomando banho na garagem. Até a hora que a esposa não aguenta mais e chama um programa de TV com uma equipe de pedreiros pra ajudar a terminar a reforma.

Com a minha falta de habilidade para o “doe het zelf”, não me resta alternativa a não ser esperar o “bonito” ter tempo e coragem pra terminar o guarda-roupa, furar as paredes e pendurar as coisas.

Pelo menos consegui convencê-lo a contratar pedreiros profissionais pra fazer a reforma do banheiro. Ele concordou meio que a contra-gosto, porque sabe que a brincadeira vai ficar cara. Mas ninguém mandou ele começar, não é?

E haja paciência!

Sobre a tese e a vida

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Eu nem me lembro se tinha comentado aqui antes, mas estou na reta final do meu mestrado (Hip, hip, hoera!!). Tive as últimas aulas do curso em janeiro  e fiz minhas últimas provas em fevereiro, desta vez, sem percalços.

Desde março estou “só” pesquisando e escrevendo minha tese de mestrado. Tenho que entregá-la em julho, defendê-la em agosto e então “c’est fini”.

Estou pesquisando sobre um tema que eu sempre curti: marketing social/“behavior change communication”/public health communication, ou seja, estratégias de comunicação para promover mudanças de comportamento, como parar de fumar, vacinar os filhos, fazer sexo seguro, dirigir com o cinto de segurança, reciclar, etc..

livros mestrado

Minha pesquisa foca em campanhas de comunicação para HIV e AIDS, então na parte prática vou analisar e comparar 4 campanhas desenvolvidas por organizações internacionais: uma suíça, uma sul-africana, uma moçambicana e uma indiana (conseguir essas campanhas é que está sendo uma novela mexicana). Embora o tema seja super interessante, essa fase de enclausuramento domiciliar não é a mais empolgante do universo, por isso o sumiço.

E como estou morando mais na Holanda do que na Alemanha agora, meus dias se resumem a ler, fazer anotações, de vez em quando escrever algo, cozinhar, lavar e limpar. Resumindo, tô numa fase pesquisadora/dona-de-casa.

Odeio passar o dia sozinha em casa e estar a 40 minutos (caminhada+ônibus+metrô) da amiga mais próxima. Odeio não ter conhecimento suficiente da língua pra manter uma conversa decente e  não saber onde comprar ou resolver as coisas.  Odeio ter que descobrir novo lugar pra depilação, pra fazer as sobrancelhas, pra consertar o casaco ou fazer as barras da calça. Ah, sim, e odeio os afazeres domésticos – tirar pó, trocar os lençóis, trocar as toalhas, passar aspirador, passar pano, pensar no que cozinhar a cada dia, lavar e pendurar roupa já era chato o suficiente num quartinho de 18m², imagine numa casa inteira? Mas como diz minha mãe: o enclausuramento é necessário para que eu possa encerrar esse ciclo da minha vida e iniciar outro.

Agora me resta parar de “mimimi” e arrumar alternativas pras coisas que eu “odeio” nessa “nova vida”, afinal, ninguém disse que seria fácil mudar de país (de novo), aprender uma nova língua, escrever minha dissertação de mestrado e lidar com as burocracias de um novo visto tudo de uma vez, não é mesmo? Mas eu escolhi estar aqui, não foi? Então tá na hora de parar de choramingar, encarar a mudança de frente e começar tudo novo, de novo.

Passei!

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Fui pra Berlim fazer a tão temida prova de conhecimentos básicos de holandês semana passada.

Tinha passado as duas semanas anteriores à prova estudando como louca e com a sensação de que não tinha sido o suficiente, porque as aulas com os pais de um amigo do meu namorado miaram na última hora e tive que estudar as 65 lições do livro preparatório e o outro livro com as 100 fotos sozinha em casa. Além disso, nas 3 primeiras semanas de março só estava estudando holandês 2 vezes por semana, porque não podia parar com a pesquisa da minha tese de mestrado por tanto tempo.

“Daí” que nas duas últimas semanas me bateu um desespero (nisso que dá ficar lendo fóruns sobre a prova e comunidades no Facebook), então deixei a tese de lado e me concentrei só no holandês. Fui estudando tudo o que me recomendavam: sites, áudios que simulam a parte mais difícil do teste e me forçando a assistir ao jornal e a qualquer programa (mesmo os mais estúpidos) que passavam na TV holandesa à noite.

Imagina só reprovar e ter que pagar 350 euros novamente pra fazer uma nova prova, além das passagens pra Berlim?

Logo após a prova a moça do consulado me falou que eu tinha passado, mas eu ainda não sabia como eu tinha me saído de fato. Hoje recebi o resultado oficial.

Na primeira parte e na terceira eu acertei tudo, consegui 100% nas duas partes. Na segunda parte, que era a mais difícil, eu fiz 47 pontos de um total de 79.

47 pontos é, segundo a tabela que eles enviaram junto, comecinho do nível B1 da tabela internacional. Mas eu me considero mais um A2.

Mais uma etapa vencida 🙂 Agora é esperar os documentos “desempepinarem” em Frankfurt pra que eu possa aplicar pro visto.