Monthly Archives: Outubro 2012

Dividida entre três países

Padrão

Estou em Bonn, Alemanha. Meu coração está em Brielle, na Holanda, e meu pensamento em Sorocaba, Brasil.

Hoje escrevi um e-mail pra secretaria do mestrado avisando que estarei no Brasil nas férias de fim de ano (bolsistas precisam avisar quando não estarão no país). Escrevi primeiro que iria “pra casa” no Natal. Apaguei. Escrevi que iria pra “casa dos meus pais” no Natal. Apaguei. Decidi só escrever que estou indo para o Brasil. Ponto.

Toda vez que vou a uma loja de decoração, compro alguma coisinha para a “casa” da Holanda. Notei que nunca mais comprei nada pra minha “casa” em Bonn e que ando passando tão pouco tempo aqui que fui protelando a limpeza e organização das coisas, até que virou um caos e eu tive que limpar e organizar pra conseguir passar o fim de semana aqui.

Meus “pertences” já estão divididos entre o Brasil, a Alemanha e a Holanda. Tenho escova de dentes e roupa nas três casas. Claro que no Brasil e na Holanda em quantidades menores.

Minhas roupas passam quase mais tempo em malas do que no guarda-roupa. Já perdi a conta da quantidade de horas que passo em trens durante o mês.

Como faz quando a gente não sabe mais onde é a “casa” da gente?

Anúncios

Quanto custa viver na Alemanha?

Padrão

Não, não vou escrever meu próprio post porque a Arlete já o fez de forma brilhante.

Eu vivo tentando fazer os alemães e os holandeses (namorado incluído) enxergarem que eles reclamam de barriga cheia. A vida por aqui é, em geral, bem mais barata do que a vida no Brasil (sim, Alemanha é mais barata do que a Holanda, mas mesmo a Holanda é mais barata do que o Brasil em muitos aspectos). Até a mão de obra aqui não é tão mais cara, levando em consideração os preços que vi meus pais negociando quando construíram a casa deles em Sorocaba ano passado.

Namorado “chia” (xia?) do preço da gasolina: 1,98 Euros /L nesse momento na Holanda. Gente, fala sério, eu ainda me lembro de chegar a pagar quase 3 reais por litro ano passado (ou retrasado?) em SP em tempos de crise de gasolina. Preço normal já estava nos 2,60 reais por  litro. E não me venha com essa de converter: ganha em reais, paga em reais; ganha em euros, gasta em euros.

Essa será a primeira vez que eu levarei euros para gastar em reais e, claro, estou comemorando, dada a minha atual situação de estudante. Mas esse é um luxo de viajante.

Veja só a comparação de preços aqui no post da Arlete.

Frustração é…

Padrão

… quando você passa 8 dias inteiros estudando (inclusive madrugada adentro) para uma única prova e reprova com uma nota tão baixa que é como se você tivesse praticamente deixado a maldita em branco.

Saber que vou ter que repetir o teste – que incluía 3 disciplinas com uma quantidade ignorante de material pra estudar- na mesma semana das provas regulares do 3º semestre e sem tempo hábil para estudar no meio é tão desesperador que as lágrimas são uma mistura de raiva e desespero.

A prova foi injusta. 30% da minha classe reprovou. Massacre total. Mesmo assim tô me sentindo uma “loser” nesse momento.

Eu nunca tinha reprovado numa prova na vida em toda a minha vida. É muita frustração pra uma segunda-feira só.

E o tempo passa mesmo!

Padrão

Casamento Eva – janeiro de 2012

Eu vim para a Alemanha pela primeira vez em fevereiro de 2003. Embora já tivesse terminado o ensino médio no Brasil, ainda consegui vir no esquema de “intercâmbio estudantil”, então frequentei o colégio aqui por mais um ano – mas sem a obrigação de fazer provas ou fazer lição de casa, já que eu vim essencialmente para aprender o idioma.

Como todo intercambista, eu morei com uma família alemã durante um ano. Morava em uma cidadezinha pequena perto de Bremen, chamada Oyten e estudava em outra cidade pequena próxima, Achim. Eu dei a sorte de ser acolhida por uma família legal, que se tornou uma segunda família pra mim ao longo do meu intercâmbio e nunca deixou de o ser.

Eu tinha um irmão 2 anos mais velho que eu, o Daniel; uma irmã dois anos mais nova que eu, a Eva; e um irmão 5 anos mais novo que eu, o Paul.

Eu cheguei em fevereiro de 2003. O Daniel se mudou para uma cidade perto de Hannover para fazer o Zivildienst dele em agosto e a Eva foi para os EUA no mesmo mês fazer o intercâmbio dela. Ficamos só eu e Paul como “filhos” em casa até eu voltar pro Brasil, pra minha família e casa verdadeiras, em fevereiro de 2004.

Ao longo dos anos nunca perdemos o contato. Trocamos e-mails, cartas e fotos, sempre nos tratando por “pais” e “irmãos”.

Em julho de 2004, o Daniel foi me visitar no Brasil por um mês. Em 2007, a Eva foi passar 2 meses no Brasil entre a minha casa, então em Bauru (SP), e a casa dos meus pais, em Votorantim (SP).

Depois disso ganhei uma bolsa para fazer um curso avançado de alemão em Freiburg no começo de 2009, e vim já no final de 2008 para passar o Natal com eles todos.

Ano passado, quando vim para o mestrado, fui visitá-los em setembro. “Meus pais alemães” estavam comemorando 30 anos de casados, deram uma festa grande e ficaram muito felizes quando souberam que eu poderia participar desse evento da família. Eu fiquei feliz por finalmente conhecer o filho do Daniel, o Lasse, que já tem 2 anos.

Em janeiro desse ano minha “irmã” Eva se casou em Berlim. Fiquei feliz em poder estar presente nesse momento, já que não pude vir ao casamento do Daniel, em 2005.

Daniel e seu filho Lasse – setembro de 2011

Semana que vem vou a Berlim fazer um treinamento de uma semana em jornalismo impresso. Vou aproveitar para visitar “meu irmão” Daniel e “minha irmã” Eva, ambos hoje casados e morando com suas famílias na capital alemã. A surpresa agradável é que tanto a Eva quanto a esposa do Daniel, a Marion, estão grávidas. Os dois bebês, ambos meninos, nascerão entre a metade de outubro e o começo de novembro e eu ainda vou conseguir ver as duas grávidas.

Estava agora há pouco empacotando uns presentinhos que comprei para levar pros bebês na viagem. Fiquei pensando no tanto de coisa que acontece em 9 anos. Meus dois “irmãos” casaram, o Daniel já vai ser pai pela segunda vez e a Eva, que pra mim sempre foi tão “moleca”, vai ser mãe!

Eu fiz faculdade, trabalhei e acabei vindo para a Alemanha mais uma vez para fazer um mestrado.

Não é tudo muito louco?

Onde o tempo foi parar? Como assim eu envelheci e nem me dei conta?

Albert Heijn to go

Padrão

A Albert Heijn é uma rede de supermercados holandesa equiparável à rede “Pão de Açúcar” brasileira: com um ambiente mais agradável pra fazer compras e produtos de mais qualidade, embora um pouco mais caros.

Desde o início desse ano (se minhas fontes não estiverem me enganando), a rede tem uma versão “to go” em praticamente todas as estações de trem e locais estratégicos das cidades holandesas. As lojas Albert Heijn to go focam em produtos mais saudáveis, como frutas, sucos, saladas, wraps, sanduíches naturais – tudo prontinho e em embalagens práticas pra comer no caminho ou levar na bolsa -, mas tem também doces, salgadinhos, refrigerantes, pães e afins.

Minha bolsa na última segunda-feira, com wrap de salmão, salada de fruta e suco de laranja. E viva o Albert Heijn to go!

Além disso, na própria loja tem um microondas que você pode usar pra aquecer a comida ou o sanduíche que você acabou de comprar.

Eu adoro as opções de frutas cortadinhas e lavadinhas em potinhos, as cenourinhas em potinhos, as frutas avulsas (banana e maçã), as saladas, os sanduíches naturais e os sucos de lá. Toda vez que viajo pra Holanda páro na loja da estação de Rotterdam ou de Utrecht (dependendo da folga entre uma conexão e outra) e compro um lanchinho saudável pra viagem. Acho tudo muito prático, gostoso e o preço aceitável.

Agora me diz, por que Bonn ainda não tem um Albert Heijn to go? Seria tão mais fácil ser saudável!

Li que eles abriram a primeira loja em Aachen, perto da fronteira com a Holanda, no meio desse ano. Vou ficar na torcida pra moda pegar e se espalhar por todo o país.