Monthly Archives: Dezembro 2011

Precisando de férias…

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Cansada de ter que conversar sobre economia, política, educação e religião em reunião de amigos. Quero falar sobre as coisas leves e boas da vida. Quero poder rir e falar bobagem.

Não quero ter que explicar como o Brasil conseguiu chegar à 6ª posição no ranking das maiores economias do mundo. Não quero ter que emitir uma opinião sobre o governo brasileiro. Não quero falar sobre o BRIC. Não quero ser a única que come carne e bebe umas “biritinhas” de vez em quando numa mesa com 15 pessoas. Não quero me sentir culpada por não conseguir comer comida apimentada.

Cansei de ser a única que não sabe o nome de cada ditador, presidente e primeiro-ministro dos sei-lá-quantos países do mundo. Não quero saber quem morreu na Coreia do Norte, qual será o próximo país europeu a falir ou o que tá acontecendo no Iraque. E não, não quero saber quantas toneladas de dióxido de carbono o Brasil emite por ano, obrigada.

Quero falar sobre quem matou quem na novela das 8, sobre o próximo churrasco e saber o que tá passando no cinema. Quero ler o horóscopo mensal e ficar vendo fotos de amigos no Facebook sem o menor sentimento de culpa.

Pronto. Falei.

Acho que preciso de umas férias de Bonn e da minha nova vida. Tô fugindo pra Rotterdam amanhã! Und tschüss!

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So this is Christmas…

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Eu já passei dois Natais na Alemanha, mas esse ano vai ser especial.

As outras vezes eu comemorei com a minha Gastfamilie alemã (a família com a qual eu morei durante o ano do meu intercâmbio) – a primeira vez durante o meu intercâmbio e 5 anos depois, quando eu vim visitá-los. Esse ano eles me convidaram novamente e também recebi convites de alguns amigos alemães para celebrar com suas famílias, mas eu decidi ficar em Bonn e comemorar com meus novos amigos daqui.

No final faremos uma grande ceia internacional, com representantes da Índia, de Bangladesh, da Indonésia, da Jordânia, do Egito, do Quênia, do Paquistão e eu, do Brasil. Do grupo, formado quase inteiramente por muçulmanos, eu sou a única representante do Ocidente e, desta maneira, a única que tem o costume de celebrar o Natal com a tradicional ceia, prece à meia-noite, músicas natalinas e amigo secreto. Por isso, estou super empolgada!

Meu irmão me enviou músicas de Natal por e-mail (porque aqui é proibido baixar da internet), comprei aquelas flores vermelhas de Natal e guardanapos com motivos natalinos e, já que o Natal vai ser alternativo mesmo, vou preparar uma feijoada de linguiça com direito à farofa e guaraná comprados na lojinha asiática aqui em Bonn. De sobremesa vai rolar café africano com pão de queijo brasileiro e bolachinhas de Natal alemãs – mais multicultural que isso, impossível.

Infelizmente não sou tão prendada assim, então fazer peru, cuscuz, salada de maionese e pavê de chocolate, como é tradição na minha família, nem passou pela minha cabeça. Quem sabe num próximo Natal!

Bem… então a todos vocês:  frohe Weihnachten, Merry Christmas, Feliz Natal!

Papo de mulherzinha

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Até que os preços estão razoáveis.

Eu nunca consegui fazer a minha sobrancelha sozinha. Não importa o quão no vermelho eu estivesse, no Brasil eu sempre arrumava um dinheirinho pra ir ao salão de beleza. E olha que na Pompeia (bairro de São Paulo) fazer uma mísera sobrancelha podia chegar a custar 25 reais (lá até o quilo do pão era superfaturado).

Estou aqui há 4 meses e em todo esse tempo ainda não tinha feito a sobrancelha porque 1) achava que era caríssimo (afinal, todo mundo diz que essas coisas aqui são caras) e 2) morria de medo de sair de lá com aquela sobrancelha de “prima” (sabe como é, bem fininha).

O fato é que já estava me sentindo uma ogra e cada vez menos feminina com as sobrancelhas por fazer. Desde que cheguei aqui foi só morro abaixo… engordei, nunca mais fiz as unhas, nem cortei os cabelos (e olha que eu fiz um corte chatinho antes de vir pra cá, que exige manutenção a cada 2 meses), nem fui fazer depilação com alguma profissional, enfim… fui me virando com os  produtos “faça-você-mesma” e deixando de lado o que eu não consigo fazer sozinha – no caso, a sobrancelha.

Mas resolvi encarar o desafio e me dar isso de presente de Natal. Fui num lugar que a Bettina Riffel tinha indicado e, ao me sentar na temida cadeira, repeti pra mulher 3 vezes (pra ter certeza de que ela tinha entendido mesmo!) que não queria que ela ficasse muito fina. Fechei os olhos e me entreguei na mão de Deus (e na da iraniana, é claro!).

Adorei o resultado! Tive a impressão de que ficou fina demais, mas deve ser só porque tinha me acostumado ao modelito sobrancelha de homem ao qual eu tinha aderido.

O melhor é que me custou só 11 euros e eu agora vou passar o Natal mais feliz!

Ah sim… mais uma pro vocabulário: Augenbraunen zupfen é fazer as sobrancelhas.

Um vídeo pra lá de especial…

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Abri meu e-mail hoje à noite e tinha uma mensagem do meu pai. Ele me dizia que tinha recebido um vídeo há um tempo atrás e que gostaria que eu o colocasse no meu blog. Achei estranho porque 1) meu pai nunca encaminha e-mails, muito menos vídeos; 2) não sabia que meu pai lia meu blog; 3) o vídeo era sobre Jesus e eu não estou acostumada com esse lado religioso do meu pai.

Assisti ao vídeo e achei realmente muito bonito. Não tenho certeza, mas a voz parece do Roberto Carlos.

Não pude evitar abrir um sorriso quando me lembrei que recebi esse vídeo do meu PAI e não da minha mãe. Em casa, minha mãe, minha irmã e eu somos espíritas, meu irmão nunca fala sobre o assunto e meu pai é católico, mas nunca foi muito praticante. De uns tempos pra cá eu o via indo à missa aos sábados e achava bonito o fato de ser uma iniciativa dele, embora minha mãe sempre o acompanhasse. Há pouco tempo fiquei sabendo que ele tem feito o Evangelho no Lar com a minha mãe às quartas-feiras, o que foi um motivo de muita alegria para nós três (minha mãe, minha irmã e pra mim).

Breve esclarecimento: “O Estudo do Evangelho no Lar é uma reunião em família, num determinado dia e hora da semana, para uma troca de idéias sobre os ensinamentos cristãos, em proveito do nosso próprio esclarecimento e do equilíbrio no lar”, como explica esse site aqui. Minha mãe geralmente o fazia sozinha ou com a minha irmã, mas o fato de o meu pai estar participando é essencial para manter um bom padrão vibratório em casa e formar uma espécie de escudo de proteção em torno dela para evitar que energias negativas entrem.

No final, o vídeo me encorajou a assumir um compromisso comigo mesma que eu há tempos vinha protelando: iniciar meu próprio Evangelho no Lar. Minha mãe já havia me pedido pra começar, mas me faltava inspiração. Estava tentando decidir qual seria o melhor dia e horário, mas ainda não tinha conseguido encontrar uma solução. Quando a gente começa a enrolar muito o melhor é decidir no susto. Comecei hoje e espero realmente conseguir manter esse compromisso.

Obrigada, pai, por me lembrar do verdadeiro sentido do Natal e por ter me dado um incentivo pra começar meu próprio Evangelho no Lar.

É tempo de agradecer…

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Um Natal iluminado a toda a minha família,  meus amigos queridos e a você que acompanha o blog!

Lar, doce lar

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Meu quartoAntes de vir pro mestrado eu sempre me perguntei como era viver como uma estudante na Alemanha. Eu fui intercambista no ensino médio aqui e morei com uma família alemã, depois voltei pra fazer um curso de alemão avançado na universidade de Freiburg e dividi uma casa com dois argentinos que vieram para fazer o mesmo curso, mas nunca tinha tido a experiência de viver em uma moradia estudantil. Eu tive a sorte de ter a Deutsche Welle para resolver tudo pra mim, então tudo o que eu precisei fazer foi escolher o tipo de moradia que eu queria e enviar um e-mail pra DW informando.

Há basicamente três opções nas moradias estudantis: um quarto simples, com cozinha e banheiro compartilhados; um quarto com banheiro, compartilhando a cozinha; ou um quarto com banheiro e pequena cozinha. Dividir banheiro estava fora da cogitação desde o começo, mas pensei que talvez dividir a cozinha fosse legal para conhecer outras pessoas rapidamente e não me sentir sozinha. Por isso demorei um pouco pra tomar a decisão. No final me decidi por ter tudo individual porque não estava afim de ter problemas de limpeza na cozinha (afinal, você pode dividir a cozinha com 5 ou com 20 pessoas, you never know) e nem de ter que sair do quarto toda vez que quisesse tomar um copo de leite e comer uma torrada.Minha pequena cozinha

Pelo meu pequeno “paraíso” pago 250 euros por mês, com internet, entrada para TV (aqui se paga uma taxa), aquecimento, energia e água. No porão tem três máquinas de lavar e uma secadora. Você leva seu próprio sabão e amaciante e paga 1,60 euro a cada lavagem – usando um cartão recarregável. Depois de um tempo você descobre os melhores dias e horários para lavar as roupas, já que as máquinas são disputadíssimas (acredito que sejamos uns 200 estudantes nesse prédio).

O lado ruim de ter banheiro e cozinha no quarto é que já moro aqui há 4 meses e quase não conheço ninguém. Além disso, não dá pra cozinhar muita coisa de qualquer forma, porque a cozinha é dentro do quarto e tudo fica cheirando por três dias. À parte disso, ter minhas coisinhas, principalmente meu próprio banheiro, tem muitas vantagens. Tenho amigos morando em quartos simples e eles contam que dividir banheiro e cozinha com outras várias pessoas é bem complicado, por mais que se tente manter a ordem.
Eu, por enquanto, estou bem satisfeita com a minha escolha. Moro a uns 300 metros do rio Reno, a 5 minutos da academia e do ginásio de esportes da faculdade, a 15 minutos a pé do centro ou 5 minutos de ônibus, enfim. Devo mesmo ficar por aqui até o final do mestrado.

Primeira neve do ano!

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Vi neve pela primeira vez no dia 6 de fevereiro de 2003. Ainda me lembro como se fosse hoje. Decolei de São Paulo num calor de 37ºC e e aterrissei em Bremen num frio de -2ºC. Mesmo tremendo, minha primeira reação foi tirar a luva e tocar a neve. Nada inteligente. Me lembro de ter passado dias admirando a paisagem branquinha pela janela em silêncio. Era uma sensação de paz tão grande! Desde então, toda vez que vejo neve fico extasiada como uma criança.

Hoje Bonn acordou branquinha pela primeira vez nesse inverno. Fazia três anos que eu não via neve. Que pena que já derreteu e que não há previsão de nevar mais nos próximos dias. De qualquer forma, já foi meu presente de Natal!

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