Sobre a tese e a vida

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Eu nem me lembro se tinha comentado aqui antes, mas estou na reta final do meu mestrado (Hip, hip, hoera!!). Tive as últimas aulas do curso em janeiro  e fiz minhas últimas provas em fevereiro, desta vez, sem percalços.

Desde março estou “só” pesquisando e escrevendo minha tese de mestrado. Tenho que entregá-la em julho, defendê-la em agosto e então “c’est fini”.

Estou pesquisando sobre um tema que eu sempre curti: marketing social/“behavior change communication”/public health communication, ou seja, estratégias de comunicação para promover mudanças de comportamento, como parar de fumar, vacinar os filhos, fazer sexo seguro, dirigir com o cinto de segurança, reciclar, etc..

livros mestrado

Minha pesquisa foca em campanhas de comunicação para HIV e AIDS, então na parte prática vou analisar e comparar 4 campanhas desenvolvidas por organizações internacionais: uma suíça, uma sul-africana, uma moçambicana e uma indiana (conseguir essas campanhas é que está sendo uma novela mexicana). Embora o tema seja super interessante, essa fase de enclausuramento domiciliar não é a mais empolgante do universo, por isso o sumiço.

E como estou morando mais na Holanda do que na Alemanha agora, meus dias se resumem a ler, fazer anotações, de vez em quando escrever algo, cozinhar, lavar e limpar. Resumindo, tô numa fase pesquisadora/dona-de-casa.

Odeio passar o dia sozinha em casa e estar a 40 minutos (caminhada+ônibus+metrô) da amiga mais próxima. Odeio não ter conhecimento suficiente da língua pra manter uma conversa decente e  não saber onde comprar ou resolver as coisas.  Odeio ter que descobrir novo lugar pra depilação, pra fazer as sobrancelhas, pra consertar o casaco ou fazer as barras da calça. Ah, sim, e odeio os afazeres domésticos – tirar pó, trocar os lençóis, trocar as toalhas, passar aspirador, passar pano, pensar no que cozinhar a cada dia, lavar e pendurar roupa já era chato o suficiente num quartinho de 18m², imagine numa casa inteira? Mas como diz minha mãe: o enclausuramento é necessário para que eu possa encerrar esse ciclo da minha vida e iniciar outro.

Agora me resta parar de “mimimi” e arrumar alternativas pras coisas que eu “odeio” nessa “nova vida”, afinal, ninguém disse que seria fácil mudar de país (de novo), aprender uma nova língua, escrever minha dissertação de mestrado e lidar com as burocracias de um novo visto tudo de uma vez, não é mesmo? Mas eu escolhi estar aqui, não foi? Então tá na hora de parar de choramingar, encarar a mudança de frente e começar tudo novo, de novo.

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5 responses »

  1. Sou Psicóloga de formação e antes de ter o meu filhote, eu a exercia em RH.
    Amei a sua coragem e o tema de aprofundamento, vc vai longe menina peituda e poderosa 🙂

    LG aus Allgau,
    Marianna

    • Muitíssimo obrigada pelas palavras, Marianna! Muito bacana receber palavras de apoio e carinho de alguém que eu nem conheço ainda. E Deus te ouça! 🙂
      Tem vontade de voltar ao RH?

      Danke pela visita ao blog e pela energia positiva que me mandou através da sua mensagem. Gestos como esse fazem o meu dia!

      Um grande beijo,
      Karen

  2. Oi Karen,

    A gente retribui o que recebe, percebo muito carinho no que vc escreve e para quem escreve 🙂

    Pretendo sim, imagino que nao sera fácil, so trabalhei no Brasil e desde que engravidei estou fora do mercado, para cuidar do fiote, há 3 anos…Pela mesma razão, ainda nao freqüento a VHS, o farei ano que vem…Sera uma longa e desejada caminhada de volta ao RH.

    E vc, onde trabalha?

    Um beijo do Allgau,
    Marianna

    • Oi Mari!

      Que bacana que dá pra sentir minha energia nas palavras 🙂 O blog é minha terapia!

      Desde quando está na Alemanha?

      Recomeçar num novo país nunca é fácil, principalmente porque a gente sempre fica muito presa ao que deixou pra trás. Na Holanda eu comparo tudo com a Alemanha e reclamo que aqui tudo é mais caro, que o holandês é mais difícil e mais feio que o alemão, que vou ter que começar tudo de novo pela terceira vez, que vai ser difícil arrumar um emprego na minha área e blablablá. Na Alemanha toda vez que estava mal pintava um quadro todo colorido da vida no Brasil. Tudo isso só dificulta a adaptação ao novo país. Às vezes tenho a impressão de que eu (com o meu pessimismo) sou minha maior inimiga.

      Mas nós duas tivemos a coragem de recomeçar, não foi? Então a gente vai em frente e, se Deus quiser, a gente há de encontrar nosso espaço no mercado de trabalho europeu, não é?

      Eu não trabalho. Ainda estou terminando meu mestrado na Alemanha. Estou escrevendo minha dissertação e ainda recebendo bolsa de estudos, mas em agosto acabo e aí começa a luta pelo meu espaço no mercado de trabalho. Claro, só depois de aprender holandês decentemente.

      E você morou em Sorocaba? Que bacana! Meus pais e meus irmãos moram lá agora!

      Um beijo enorme e super obrigada pela visita, pelos comentários e pela força!

  3. Olá Karen, me desculpe a demora para te responder 😦

    Tiramos ferias e agora estamos de volta 🙂

    Na verdade, sou Goiana. Mudei de Anápolis em 99 e fui para Sorocaba estudar Psicologia…
    Me casei ha quase 7 anos e e há 1 ano e meio nos mudamos para a Alemanha…Desde que engravidei sou mae, amelia, esposa, rs…Meu filhote, o Benjamin, esta com quase 3 aninhos 🙂

    Tmb estou muito feliz, mesmo tendo temporariamente deixado a minha profissao de lado, alias aqui sera muito dificil retoma-la, ja que nao sou Alema e geralmente o pais nao “tira” um emprego de um nativo para “dar” a um estrangeiro…Sou Brasileira e nao desistir nunca, rs…E por isso tenho muita vontade em trabalhar em RH novamente, que e o que eu fazia antes…Tempo ao tempo e muito Alemão nos livros e na cabeça, rs…

    Acho que a passagem do tempo, faz muito bem, a maioria das pessoas…Para mim também foi e tem sido bom, so tenho a agradecer a Deus por tantas coisas boas que aconteceram ao longo da minha vida…

    Beijocas do Allgau,
    Marianna
    https://www.facebook.com/marianna.pereiraalvesvukitsevits?ref=tn_tnmn

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