A síndrome do “sabe-tudo”

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Sinceramente, tem hora que eu odeio conversar com alemão. É claro que não são todos, mas uma grande parte da população parece ser uma enciclopédia ambulante e, por isso, acredita saber tudo sobre tudo.

Ontem eu participei de uma conferência sobre cultura, mercado e desenvolvimento organizada pelo GIZ (Sociedade alemã para a Cooperação Internacional), o DAAD (Serviço alemão de Intercâmbio Acadêmico) , o IFA (Instituto para Relaçõex Exteriores) e pela Deutsche Welle. Fui lá dar minha humilde contribuição num painel sobre “Empregos criados pela mídia – potenciais criados por parcerias pelo desenvolvimento”. Eu e minha amiga Christine (do Quênia) falamos sobre o mestrado, sobre como chegamos aqui, nossa trajetória profissional, o mercado midiático nos nossos países, parcerias entre nossos país e a Alemanha e afins.

Quando o tal painel acabou fomos almoçar e dois dos participantes do nosso workshop nos acompanharam: um alemão e uma chinesa. Gente, que cara chato esse alemão! Pelo amor! O cara queria ensinar católico a rezar o Pai Nosso!

Estávamos falando sobre o Quênia – veja bem, a Christine é queniana -, aí o cara começa: “ah, sim, porque no Quênia as línguas oficiais são o inglês e o suaíli, mas existem dezenas de outras línguas faladas por etnias menores”. Ela só responde: “aham”. Aí mudamos pra África do Sul e o sujeito: “… porque as pessoas pensam que na África do Sul só tem negro, quando metade da população é branca”.

Okay.

Sei lá porque mudamos pra Índia. O camarada continua com sua lição de conhecimentos gerais não solicitada: “É muito engraçado. Na Índia as pessoas têm que se comunicar em inglês, porque existem tantas línguas que um indiano do sul não entenderia um indiano do norte”.  E continua: “a China e a Índia juntas têm metade da população do mundo”; “… a descoberta do petróleo foi uma desgraça pra Nigéria…”; “… a China já tem um programa consolidado de controle de natalidade ( e a chinesa do lado!! Oh my Gosh!)…” e blablablá.

Gente, será que esse cara acredita meeeeesmo que a gente não sabia de nada disso?

E afinal, quem perguntou?

Como eu odeio essa síndrome do “sabe-tudo” que acomete os alemães!

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13 responses »

  1. Menina do ceu, algumas pessoas precisam disso para se sentirem importantes, porque a vida é de muitos é vazia. Observe: provavelmente é uma pessoa solitária. Aposto. hehe

    • Pior que era um rapaz, Bê. Um universitário que nem parecia ser daqueles isolados e nerds. Mas esse foi, claro, só um caso. Na verdade minha impressão é de que muitos alemães têm essa síndrome do sabe-tudo, mesmo sem notar ou querer.

      Beijo procê!

    • Né? Irritante! Eles têm resposta pra tudo: de como curar diarreia a como governar o país dos outros.hehe Sempre com números, muita história e argumentos. Beijo procê, Tati!

    • Que linda! Não acredito que estou tendo a honra de ter Julieta Romero lendo meu blog e comentando em português!hehe
      Essa síndrome sabe-tudo irrita, não é não?
      Eu vou moderar um workshop em novembro sobre corrupção no Brasil em Felfading e já estou vendo os alemães todos achando que sabem mais que eu sobre meu próprio país, já que os convidados e o outro moderador é alemão!rs

      Beijo!

  2. Oi ka, que engraçado ver seu post, fiz uma search pelo google ” holandes acha que sabe tudo” heheheheheheheh, e dou de cara com seu sobre is alemaes,mania de holandeses tambem viu, super dificil de lidar com as opiniões não perguntadas ou a aula de conhecimentos desnessária.

    • Olá Vivian!

      Obrigada pela visita!
      Sério que os holandeses também são assim? Até agora eu dei a sorte de encontrar holandeses bem bacanas. Ainda não “topei” com nenhum sabe-tudo.

      Vc mora onde e está aí desde quando?

      Um beijo

  3. Quase todo alemao é assim.Parece ate que so eles sabem as coisas e os estrangeiros sao burros.Nem perco mais meu tempo debatendo

  4. Moro numa cidade de colonização alemã no RS e eles são completamente irritantes, sabem tudo, são invasivos, curiosos sobre a vida alheia, querem tirar vantagem de tudo, teimosos e só aceitam no seu convívio quem for da mesma “espécie”. Pessoas de fora da cidade acham a mesma coisa, Acho detestável!

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