Minha primeira experiência com o “Ramadã”

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Eu acho que eu já falei por aqui que, desde o primeiro dia do mestrado, minhas amigas mais próximas aqui em Bonn são a Ibtisam (egípcia), a Christine (queniana) e a Monika (polonesa). É claro que aprendo muito com todas elas e também com outros colegas e amigos queridos, mas a convivência com a Ibtisam – minha primeira e única amiga muçulmana – é realmente um aprendizado diário.

Desde o dia 21 de julho é Ramadã no mundo islâmico. Isso quer dizer que os muçulmanos, como a Ibtisam, observam um jejum (comida, bebida e sexo) entre o nascer e o pôr do sol. O jejum dura um mês inteiro e representa um ato de renovação da fé.  Ao final desse período, a comunidade islâmica celebra o Eid al-Fitr por 3 dias com banquetes e outras atividades religiosas. Mais sobre o assunto, aqui.

Após 4 semanas sem nos vermos, ontem nos reunimos – eu, Ibtisam, Monika, Christine e uma outra amiga, a Natalia (russa) – pra botar o papo em dia.

Primeiro nos encontramos só pra papear e depois eu, Ibtisam e Monika seguimos para um restaurante turco, onde havíamos feito uma reserva pras 9 da noite, quando o sol se põe por essas bandas de cá nessa época do ano e a Ibtisam finalmente pode fazer sua primeira (e única) refeição do dia, já que de manhã ela prefere dormir a acordar antes do nascer do sol pra comer.

Chegamos um pouco antes das 21h e o restaurante, que estava cheio, de repente lotou. Nas mesas, os pães e saladas permaneciam intocados. Todos à espera do pôr do sol e do Azan – o chamado da mesquita pra iniciar a oração (que foi, neste caso, feito artificialmente pelo restaurante).

Às 21h07, o Azan tocou e todos começaram por uma fruta seca que estava no meio da mesa. Ibtisam nos explicou que esse doce tem o intuito de quebrar o jejum devolvendo a energia ao corpo, que fica mais debilitado durante essa época.

Foi a primeira vez na vida que ouvi falar e vivenciei de perto o Ramadã e confesso, não sei se minha fé é grande o suficiente pra jejuar um dia inteiro, sem pestanejar.

Como escrevi num outro post, eu não tenho a menor intenção de mudar de religião, mas admiro os muçulmanos pelo compromisso com a sua própria fé.

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3 responses »

  1. Olá! Sou amigo da Monika, a polonesa de Bonn. Foi ela que me indicou o seu blog. Aproveito, caso me permita, para recomendar o livro Sobre o Islã, do jornalista Ali Kamel. É uma leitura agradável sobre a história do Islã, especialmente a anedota sobre a decisão de Alá em exigir dos muçulmanos as cinco orações diárias. Embora agradável, advirto que é uma leitura bem preliminar sobre essa religião.

    • Olá Zé Paulo! Tudo bem? Já ouvi falar muitas vezes de você! Muito obrigada pela indicação. Ainda estou engatinhando no assunto, aprendendo aos pouquinhos cada coisa na convivência com a nossa amiga Ibtisam e acho interessantíssimo! Vou procurar o livro! Grande abraço

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