Sobre casamentos arranjados

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Casamentos arranjados eram uma realidade muuuuuuito distante pra mim até pouco tempo atrás. Sempre escutei estórias sobre essa prática na Ásia e no Oriente Médio e sabia que isso também era comum no Brasil há muitos anos atrás, mas nunca imaginei conviver com pessoas para as quais esse tipo de união é perfeitamente normal.

A maioria dos meus novos amigos vêm da Ásia e do Oriente Médio. Casamentos arranjados são, portanto, uma prática comum na cultura deles. A ordem comum das coisas –  se apaixonar, namorar e, se tudo for bem, casar – não faz parte das expectativas e nem dos planos deles. O casamento nesses países é praticamente uma transação de negócios. 

Num jantar qualquer no ano passado, uma colega de Bangladesh disse que nunca se casaria com um cara que fosse menos qualificado do que ela e contou que trocar currículos (sim, o velho e bom CV) antes mesmo de conhecer o candidato pessoalmente é uma prática comum por lá. Ela tem 37 anos, é advogada e jornalista, fez mestrado e MBA na Alemanha e tem visto de residência permanente no país. Qual é a chance de ela encontrar um cara mais qualificado e mais velho que ela que ainda esteja solteiro em Bangladesh?

Meu amigo da Índia (27 anos) acredita que casamentos arranjados sejam mais seguros e menos complicados, porque não se cria tanta expectativa em relação ao parceiro. Você aceita o cônjuge como ele é e a união é pra vida inteira. O amor, bem… o amor nasce com o tempo, com a convivência.

Minha amiga do Egito está passando por uma situação dificílima agora, dividida entre a religião e o amor. Ela, muçulmana, está apaixonada por um alemão sem crença alguma. Na religião dela só é permitido namorar se a intenção for mesmo casar, o que nesse caso é um pouco mais complicado do que simplesmente noivar e fazer promessas de amor.

Homens muçulmanos podem casar-se com mulheres não-muçulmanas, contanto que elas pertençam a uma doutrina cristã (porque o islamismo também acredita no cristianismo). A recíproca, no entanto, não é verdadeira. Uma mulher muçulmana só pode se casar com homens que compartilhem da mesma crença, ou seja, se o cara não for muçulmano de nascença, ele tem que se converter. Não há meio termo.

Acontece que o islamismo não é só uma religião, é todo um estilo de vida, que inclui várias preces diárias, abdicação à bebida alcóolica, jejuns por longos períodos e etc. Então, o tal alemão está agora numa “sinuca de bico”: ou se converte ou pode esquecer o amor da vida dele.

Fato é que eu, que sou espírita, continuo duvidando que Deus exija que duas pessoas pertençam à mesma religião para compartilhar uma vida conjunta. Mas quem sou eu pra julgar a crença e a fé alheias? Então só me resta torcer pra que o camarada se converta e essa estória tenha um final feliz!

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2 responses »

  1. Complicadíssima mesmo a situação hein? Adorei o post, trocar CV deve ser no mínimo interessante!! Bjos Amada

  2. Quanta desilusão =/
    Muito bom ler seus pensamentos por aqui. Dá até pra matar a saudade. Beijo, amiga.

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