Quando comer vira obrigação

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Comer deveria ser um prazer, mas pra mim tem sido uma tortura já há mais de 4 meses. Explico-me: eu nunca fui chegada em comida alemã (com exceção dos pães, bolos e doces) e após ter passado por uma espécie de reeducação alimentar no Brasil por cerca de 10 meses, enfrentar a carne de porco com mil molhos, batata em suas mil formas (frita, assada, cozinha, quadrada, redonda, triangular, em forma de purê) e muito tempero e gordura em todo e qualquer prato tem sido um sofrimento diário.  Nem a salada se salva. Eles sempre dão um jeitinho de colocar algum tipo de molho. #ódiomortal 

Por um tempo resolvi cozinhar em casa e levar uma marmitinha todos os dias, mas com a rotina de mestrado + estágio acabei desistindo e me conformando com a ideia de que teria que me acostumar com a comida da cantina da DW (Deutsche Welle) mesmo.  Veja bem, não é que a comida aqui seja um pesadelo. É só gordura e tempero demais pro meu paladar recém-acostumado a comer quase sem tempero algum.

Eis que vez ou outra algum colega se inspira e decide preparar uma comida típica do seu país para o grupo e eu, claro, sou convidada. Como diz a Bruna: todoschora!

O problema é que a maioria dos colegas vêm de países tipo Índia, Bangladesh, Paquistão e cia. e todos os pratos têm muito tempero e pimenta. Eu sempre odiei e sempre vou odiar pimenta. Quando cruzo com pratos apimentados fico vermelha, choro, começo a suar, meu nariz escorre, é um Deus nos acuda.

Já sabendo desse meu “probleminha”, meus amigos (super fofos) tentam cozinhar com o mínimo de pimenta e tempero possível (como vocês vêem, meu problema já virou domínio público), mas pra mim continua sempre apimentado. Tenho dó quando eles olham pra minha cara buscando aprovação e eu, já vermelha, digo “tá um pouquinho apimentado, mas eu aguento” (e dá-lhe vinho, água, suco, qualquer bebida que estiver ao meu alcance). Então, o que deveria ser um prazer, se tornou pra mim uma obrigação social e uma tortura.

Acabo de voltar de um jantar que meu colega indiano ofereceu pra gente. Fofíssimo, ele comprou chips indianos de mandioca, preparou vários pratos, comprou sobremesa típica e de quebra ainda comprou um filme indiano engraçadíssimo pra assistirmos. Foi ótimo. Mas me perguntem o que tô comendo agora? Bolachinha com cappuccino. #balançagrita

Faz 4 meses que eu não como com aquele prazer que comia um simples prato de arroz, feijão e bife (sequinho, sem molho e temperado só com sal mesmo).

Se pelo menos eu emagrecesse porque a comida não me agrada. Mas não. Porque a comida não me deixa satisfeita eu acabo me refugiando nos pães, bolos e doces (que aqui são ótimos!). Resultado: 4 meses e meio depois, 5 kg a mais na balança. E eu só levanto minha bundinha para ir à academia nas férias, com 5 graus lá fora porque poderia já estar nos 10kg extras se não o fizesse.

O jeito vai ser me conformar que vou viver em guerra com a balança pelos próximos dois anos.

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One response »

  1. Ah, Karen… qual a graça de pedir um Döner sem dizer “Sehr scharf, bitte!”? rsrs
    Brincadeira, é porque adoro comida apimentada. Nem o sushi escapa, fica todo verde com Wasabi por cima.
    Mas enfim, uma pena que você não tenha tempo de cozinhar. Sinto muita saudade da praticidade das coisas daí. Na mensa a comida era até variada e boa (apesar de um pouco “salgada” no preço), mas em casa aprendi a cozinha somente o necessário e tinha a liberdade de escolher o que queria. Comia salmão pelo menos 3 vezes por semana. No ALDI já encontrava salmão praticamente pronto (nem precisava temperar) e era muito barato. Até as saladas congeladas (de vários tipos) eram muito boas. E o spätzle, por exemplo (não sei se por aí em comum encontrar também)? Muito bom e super barato! Adorava também a carne de Dönner- e Gyros-Pfanne, que já vinha prontas e temperadas.
    Bem, no fim das contas, acaba que hoje sinto saudade de muitas coisas que só se encontra por aí. Acabei pegando a mania dos alemães de tentar novas coisas e até tentar algumas receitas na cozinha. Lembro que assistia quase todos aqueles programas da VOX (Der perfekte Dinner usw.) e achava muito engraçado o quanto eles eram perfeccionistas e “cri-cri”.
    Enfim, nada substitui o nosso arroz com feijão, mas aposto que ao longo do tempo você vai acabar descobrindo novas coisas e variando o cardápio. Ah, e a primavera tá mais perto que longe, né?
    Grande abraço!

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